Cursilhos de Cristandade comemorar jubileu

Movimento de evangelização de adultos chegou a Portugal em 1960 e à diocese de Aveiro passados três anos

O primeiro Cursilho de Cristandade em Portugal, conside-rado também o primeiro da diocese de Lisboa, realizou-se em Fátima de 30 de Novembro a 3 de Dezembro de 1960. O Bispo de Leiria-Fátima de então, D. João Pereira Venâncio, afirmou na altura: “Movimento que nasce em Fátima nunca morrerá”. Certo é que já passaram cinquenta anos de presença do Movimento dos Cursilhos de Cristandade (MCC) em Portugal e pelo menos 130 mil pessoas, ao longo de cinco mil cursilhos, beneficiaram deste movimento de despertar da fé de adultos.

À Diocese de Aveiro o movimento chegou em 1963. O primeiro cursilho realizou-se de 27 a 30 de Dezembro de 1963 (ver notícia histórica em destaque). De então para cá, na centena e meia de cursilhos promovidos pelo movimento, terão passado por estes encontros, só na diocese de Aveiro, cerca de 4000 pessoas.

Na origem deste movimento que tem como missão principal apresentar “aos homens e mulheres deste milénio, com qualquer grau de cultura e de qualquer meio social, um encontro consigo, com a Igreja e com Cristo, durante um curto espaço de tempo de três dias”, conforme se pode ler num folheto, esteve o leigo espanhol Eduardo Bonnín de Aguiló.

A ideia de um encontro para despertar a fé gerou-se em Eduardo Bonnín (Palma de Maiorca, Espanha, 4 de Maio de 1914 – 6 de Fevereiro de 2008) quando cumpria o serviço militar, em 1936, ao lidar com os colegas soldados. Mais tarde, em 1940, lê um apelo de Pio XII que incentivava a procurar “novos caminhos” para fazer com que todos, especialmente os mais afastados, conheçam o amor de Deus.

A ideia foi criando o seu caminho até que de 20 a 23 de Agosto de 1944, numa casa de Maiorca faz-se o primeiro cursilho, na altura ainda sem o “de cristandade”. No entanto, para a história só conta como cursilho n.º 1 o realizado em 7 de Janeiro de 1949, quando o movimento, pelo menos a nível diocesano, já era reconhecido. Nesse ano, D. Juan Hervás, bispo de Palma de Maiorca, afirma que abençoa os cursilhos “não só com uma das mãos, mas com as duas”. O movimento – ou talvez melhor seja dizer “a dinâmica” – vai crescendo e chega a Portugal em 1960 e à Diocese de Aveiro uns dias depois de Paulo VI ter assinado um decreto em que nomeia o apóstolo São Paulo “celeste patrono diante de Deus do Movimento de Cursilhos de Cristandade”. Foi no dia 14 de Dezembro de 1963. O cursilho inaugural de Aveiro seria um dos primeiros a saber do patrono declarado pelo Papa.

O MCC chegou a Portugal pelas mãos de D. Vitoriano Aritze (falecido a 30 de Janeiro de 2009) e de alguns leigos de Vitória (País Basco, Espanha), com o beneplácito do Cardeal Cerejeira. O cursilho de Fátima foi o primeiro da diocese de Lisboa e de Portugal. Entre os jovens, os cursilhos têm correspondência nos Convívios Fraternos.

O fundador mundial, Eduardo Bonnín, toda a vida foi impulsionador do movimento e viu-o expandir-se pelos cinco continentes. Dizia que os cursilhos nasceram “não para formar homens de Igreja, mas uma Igreja de homens”. Sobre si próprio, afirmava que estava “sempre contente, mas não satisfeito”. Morreu no dia 6 de Fevereiro de 2008 e foi enterrado na Igreja dos Capuchinhos, na Maiorca natal. No seu túmulo escreveram o que sempre quis ser: “Um aprendiz de cristão”. E é também isso que o MCC, hoje preocupado em ser veículo na nova evangelização, quer continuar a fazer: ajudar as pessoas a serem aprendizes de Cristo.

J.P.F.

Cursos de Cristandade

O admirável movimento apostólico dos Cursos de Cristandade, há meses lançado na Diocese de Aveiro pelo nosso Venerando prelado, começou agora, de forma mais concreta, a realizar o seu trabalho e a produzir os seus frutos.

O 1.º Curso, orientado por dirigentes do Porto e no qual participaram cerca de quarenta homens, efectuou-se de 27 a 30 de Dezembro, presidindo ao encerramento, no Seminário de Santa Joana Princesa, o Senhor D. Manuel de Almeida Trindade, que no final celebrou missa e dirigiu a todos a sua palavra pastoral.

É nosso dever pedir ao Senhor que também entre nós, como em toda a parte, derrame a abundância das suas bênçãos e graças sobre esta obra. da Igreja.

Correio do Vouga de 10 de Janeiro de 1964

Principais datas

20 de Agosto de 1944 Primeiro cursilho de cristandade (não oficial)

7 de Janeiro de 1949 Cursilho de Cristandade n.º 1 (após seis não oficiais). Reconhecimento do movimento na diocese de Palma de Maiorca (Espanha)

29 de Novembro de 1960 Primeiro Cursilho em Portugal (de Lisboa, em Fátima)

14 de Dezembro de 1963 Paulo VI proclama São Paulo como patrono do movimento

27 de Dezembro de 1963 Primeiro Cursilho na Diocese de Aveiro

1966 Primeira Ultreia Mundial, na presença de Paulo VI

1974 O MCC renova a sua doutrina à luz do Vaticano II

1996 Reconhecimentos dos Estatutos pela Conferência Episcopal Portuguesa

2010 Jubileu do MCC em Portugal