Dia da Padroeira Na celebração eucarística de homenagem a Santa Joana, Padroeira de Aveiro e da Diocese, dirigindo-se aos fiéis presentes na Sé de Aveiro, D. António Francisco, Bispo de Aveiro, disse que se encontra em Santa Joana “o mais belo desejo de santidade e um dos mais nobres testemunhos de vida cristã e de amor a Aveiro”.
O prelado recordou o amor e o sentimento de Santa Joana para com Aveiro, a sua terra adoptiva, onde se recolheu no Convento de Jesus, ali mesmo ao lado da actual Sé, onde está sepultada.
Depois de realçar que os aveirenses sabem sonhar e têm coragem para partir, D. António Francisco afirmou que “a Ria e o Mar não metem medo aos aveirenses. A Ria oferece-nos uma moldura única de beleza, e o mar, um campo imenso de trabalho e de sonho”.
Prosseguindo essa sua alusão ao povo aveirense, o Bispo ressalvou que as crises e os sobressaltos da história não tiram a coragem aos audazes, e que “a fé tem sido para as nossas gentes uma grande esperança e continuará a ser, no futuro, uma enorme esperança. Os que assumimos a fé assumimo-la por inteiro, com convicção e coerência, com a sabedoria de quem recebe um dom gratuito de Deus”.
Para D. António Francisco, os fiéis têm a certeza de que a fé continua a ser fundamental no “campo da razão, da ciência e da cultura do nosso tempo”.
Santa Joana é, no dizer do bispo aveirense, o “sinal maior da nossa identidade como cristãos e da nossa cidadania como aveirenses. Sabemos o valor da liberdade tida e conquistada, e conhecemos quanto a fé e a Igreja nos oferecem a profecia de um mundo melhor, onde não basta cumprir a justiça que nos torna cidadãos, mas deve afirmar-se pela via da caridade que nos faz irmãos”.
“Nos tempos difíceis de crise financeira, e nas horas de inquietação e insegurança sócio-económica em que vivemos, importa que saibamos ler com lucidez e sabedoria os sinais da fé. À luz da palavra de Deus sejamos capazes de abrir portas a um futuro diferente em que as nossas esperanças humanas não sejam apenas no progresso, no dinheiro, no poder, no individualismo de interesses”, até porque, como recordou D. António Francisco, os que construíram o mais belo da nossa história “souberam olhar para Deus e para o mundo, e amar a Deus e servir as pessoas e as coisas”.
No final da homilia, D. António Francisco pediu “a graça e bênção para a nossa cidade e diocese para que todos, na alegria e na comunhão, sejamos em Cristo educadores da fé e fundamentos de esperança para o mundo”
Procissão de Santa Joana
Em muitas varandas e janelas foram desfraldadas colchas numa saudação colorida a Santa Joana, que percorreu as ruas da cidade na tradicional e majestosa procissão, que incorporou muitas centenas de pessoas e inúmeras irmandades, confrarias, movimentos e entidades religiosas, civis e militares, num percurso ladeado por uma multidão compacta de gente vinda não só da cidade mas de diversos pontos da diocese, ou não fosse Santa Joana a padroeira da Diocese de Aveiro.
Cardoso Ferreira
D. António Francisco em Aveiro e Fátima
Este ano, as celebrações litúrgicas de homenagem a Santa Joana coincidiram com a visita do Papa Bento XVI a Portugal, facto realçado por D. António Francisco que, na homilia que proferiu na Sé de Aveiro, convidou os fiéis a “viver esta celebração em comunhão com o Santo Padre Bento XVI, em visita a Portugal e a sentir a alegria desta hora para a Igreja que acolhe o Pastor Universal, sucessor de Pedro, e a testemunhar o júbilo e o entusiasmo com que queremos ouvir a sua mensagem e seguir os seus ensinamentos”.
À tarde, D. António Francisco já não pôde participar na procissão em honra de Santa Joana, porque foi o bispo escolhido para proferir a alocução de boas vindas de Sua Santidade ao Santuário de Fátima, cerimónia que ocorreu nessa tarde (ver página 21).
Museu de Aveiro apresentou manuscrito sobre beatificação
O Museu de Aveiro, que ocupa o convento onde viveu, morreu e está sepultada Santa Joana, apresentou, no dia de Santa Joana, um manuscrito, datado de 1628, referente ao processo de beatificação da princesa que trocou a corte de Lisboa pelo então modesto convento aveirense.
O manuscrito possui 180 fólios, reúne autos, sumários, petições, procurações, declarações de interesses e milagres relativos ao processo de beatificação de Santa Joana. Em 5 de Maio de 2009, quando foi a leilão este documento que integrava a colecção de António Capucho, o Instituto dos Museus e da Conservação adquiriu-o, por sugestão do Museu de Aveiro, tendo sido pago por verbas do museu aveirense.
