D. António Francisco dos Santos, novo Bispo de Aveiro

Por decisão do Santo Padre o Papa Bento XVI, o novo Bispo de Aveiro é D. António Francisco dos Santos, actualmente Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Braga, sucedendo ao sr. D. António Baltasar Marcelino; a nomeação foi hoje tornada pública no Vaticano. O início do seu ministério episcopal na nossa Diocese está agendado para o próximo dia 8 de Dezembro, solenidade litúrgica da Imaculada Conceição da Virgem Maria.

D. António Francisco dos Santos é filho de Ernesto Francisco (já falecido) e de D. Donzelina dos Santos. Nasceu no dia 29 de Agosto de 1948, na freguesia e paróquia de Tendais, concelho de Cinfães, Diocese de Lamego.

Após a Escola Primária, em 1959 ingressou no Seminário Menor Diocesano, sito em Resende, e, em 24 de Junho de 1971, concluiu o curso superior de Teologia no Seminário Maior de Lamego. Em 8 de Dezembro de 1972, foi ordenado presbítero na catedral de Lamego. Seguidamente, durante dois anos, encarregou-se do múnus de vigário paroquial da freguesia de S. João Baptista de Cinfães.

Indo para Paris, licenciou-se em Filosofia na Faculdade de Filosofia do Instituto Católico de Paris, fez na mesma Faculdade o mestrado em Filosofia Contemporânea e, na Escola Prática de Altos Estudos, em Ciências Sociais; e ainda, no Centro Nacional de Investigação Científica de Paris, obteve o diploma em Sociologia Religiosa.

Depois de regressar a Portugal, foi nomeado professor e membro da Equipa Formadora do Seminário Maior de Lamego, exercendo cumulativamente as funções de secretário e ecónomo do mesmo Seminário, de que foi também vice-reitor nos anos de 1986 a 1991.

Tendo sido escolhido para o Cabido da Sé de Lamego, o Cónego António Francisco dos Santos ainda desempenhou na sua Diocese outros importantíssimos cargos: – Delegado episcopal para a Formação do Clero, responsável da Pastoral Universitária da Cidade, secretário diocesano da Pastoral das Migrações, membro da Equipa Sacerdotal da Paróquia de Santa Maria de Almacave, chefe da Redacção do semanário diocesano “Voz de Lamego”, vigário episcopal do Clero, pró-vigário geral da Diocese, presidente do Centro de Promoção Social Rural de Lamego e professor no Instituto Superior de Teologia do Núcleo Regional das Beiras da Universidade Católica Portuguesa. Em 1997, o Papa João Paulo II nomeou-o Monsenhor. Além de ter prefaciado diversos livros, é o autor das seguintes publicações, em parceria: – “Fenómeno Migratório na Região Centro – O Regresso” e “Douro sul no Sulco do Amanhã”.

Em 21 de Dezembro de 2004, foi escolhido para Bispo Auxiliar de Braga, com o título de Magneto (Meinedo), primitiva Diocese do século VI na actual região do Porto. Na tarde de 19 de Março de 2005, solenidade litúrgica de S. José, recebeu a ordenação episcopal, na catedral de Lamego, presidindo o Bispo da Diocese, D. Jacinto Tomás Botelho. Em 24 do mesmo mês de Março, iniciou a sua actividade episcopal em Braga.

Colaborando colegialmente com o Arcebispo de Braga em toda a actividade pastoral, D. António Francisco dos Santos exercia particularmente as funções de vigário geral, de director da Comissão Arquidiocesana de Arte Sacra, integrada no Instituto de História e Arte Cristã; também lhe estava confiada a Vigararia Territorial composta pelos Arciprestados de Guimarães, de Fafe, de Cabeceiras de Basto e de Celorico de Basto.

A nível da Conferência Episcopal Portuguesa, foi membro da Equipa Nacional da Obra Católica das Migrações e, desde 1994, acompanhou as Equipas dos Casais de Nossa Senhora e o Movimento dos Cursilhos de Cristandade; no presente triénio de 2005-2008, o novo Bispo de Aveiro é o presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios e é vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã.

Num acto de reconhecida homenagem, a Câmara Municipal de Lamego, na reunião de 14 de Março de 2005, concedeu-lhe a medalha de ouro da Cidade, com o título de cidadão honorário. Lê-se na respectiva acta daquela reunião: – “Os diversos cargos e funções exercidos nas estruturas diocesanas [de Lamego] deram-lhe a experiência que pautará o seu trabalho pastoral como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Braga; e o seu trato distinto com os homens será passaporte a acompanhá-lo no seu novo campo de acção, agora carregado de esperança para todos nós, amanhã talvez aureolado com novos e maiores compromissos no seio da Igreja Católica, que serve tão zelosa como eficientemente”. A medalha ser-lhe-ia entregue no dia 23 de Julho, nos Paços do Concelho, em sessão solene, durante a qual, o Prelado diria que desejava que a insígnia fosse uma “homenagem a todos os que sofrem, na solidão ou pobreza, na ansiedade ou na doença”, e que também fosse imperativo para ele próprio continuar a ser “apóstolo da Bondade, distribuidor generoso do Pão, servo fiel da Esperança, profeta da Justiça e promotor da Civilização do Amor”.

Efectivamente – conforme atestou D. Jacinto Botelho, aquando da ordenação episcopal de D. António – este Prelado patenteava já a riqueza do conselho sempre lúcido e ponderado, da solicitude modelar a todas as pessoas, do testemunho generoso e discreto, e da delicada responsabilidade nas tarefas que francamente aceitava.

Demos assim a conhecer, em singelo apontamento de algumas efemérides, a biografia do sr. D. António Francisco dos Santos, que, nos próximos anos, vai ser o primeiro responsável da vida e da acção eclesial na nossa Diocese. Não duvidamos – antes estamos certos – de que pelo saber e pela experiência do seu novo Prelado, embora com a sua maneira peculiar, a Igreja de Aveiro prosseguirá o rumo em boa hora encetado, no ano de 1938, por D. João Evangelista de Lima Vidal e continuado por D. Domingos da Apresentação Fernandes (1958-1962), por D. Manuel de Almeida Trindade (1962-1988) e por D. António Baltasar Marcelino. Como sempre aconteceu no passado, não lhe faltará a indispensável e generosa cooperação dos sacerdotes, dos diáconos, das comunidades religiosas e de muitos membros activos do Povo de Deus.

Assim a Diocese – conforme a afirmação do Concílio Vaticano II (C.D., 11) – “unida ao seu Pastor e por este congregada no Espírito Santo, mediante o Evangelho e a Eucaristia, constitui a Igreja particular, onde verdadeiramente se encontra e actua a Igreja de Cristo una, santa, católica e apostólica”.

Algumas afirmações do novo Bispo de Aveiro

Fascínio em servir a Igreja

“Para mim, ser Bispo é um dom, mas também um mistério, sempre graças à bondade de Deus. Queria ser apóstolo dessa bondade e que essa fosse a minha maneira de evangelizar. Sempre me fascinou o desejo de servir a Igreja, na alegria, na obediência, na disponibilidade e na humildade”. E, referindo-se às vocações, afirmou: – “No meu ministério sacerdotal dei sempre prioridade ao ministério da vocação; Deus continua a chamar-nos e eu respondi sim, porque sempre vivi essa alegria da fidelidade ao chamamento de Deus em relação a mim e a tantos jovens que, no percurso do seminário, se foram orientando e caminhando para o sacerdócio” – Da entrevista à Agência Ecclesia, em 22-12-2004.

Coerência entre a fé a vida

“Nos caminhos humanos das nossas vidas e das nossas procuras crentes, continuamos a cruzar estas estradas apinhadas de gente com fome de Pão, com fome de Esperança, com fome da Eucaristia. […] Como é necessário que resplandeça numa sociedade marcada pelo relativismo e de um mundo à procura de futuro, de luz e de paz, o grande sinal da Virgem-Mãe! Mas o brilho e a força desse sinal hoje depende de nós, depende da maneira como acolhemos a Palavra de Deus e como vivemos a Eucaristia, e as traduzimos em gestos do nosso dia-a-dia”. – Da homilia em Fátima, no dia 13 de Setembro de 2005.

Sacerdotes – Mediadores da vocação

“Os nossos Presbitérios, a sua maneira de servir a Igreja e o Mundo e o seu testemunho de vida, são frequentemente os imediatos e mais próximos mediadores entre o chamamento de Deus e resposta à vocação por parte das crianças, adolescentes e jovens” – Da Nota para a Semana dos Seminários (6/13-11-2005), de 5 de Novembro de 2005.

Famílias e comunidades – Lugares vocacionais

“Sonhamos com um tempo em que o mais normal seja a paróquia que faz surgir vocações a todos os níveis e não a paróquia onde só o pároco tem vocação, porque as famílias cristãs e as comunidades devem ser verdadeiros lugares vocacionais”. E aos educadores vocacionais é exigida “uma identidade vocacional assumida, uma autenticidade de vida centrada no essencial e uma alegria consistente na escolha feita e na felicidade com que se vive o ministério ou a consagração” – Da Nota para a Jornada Mundial de Oração pelas Vocações (7-5-2006), de 5 de Maio de 2006.

O Presbítero na Missão da Igreja

“Urge que cada um dos cristãos e cada um dos sacerdotes regresse em permanência às raízes da sua vida como baptizado e às fontes da sua vocação como chamado pelo amor de Deus, para, em nome de Cristo e em favor da Humanidade, exercer o múnus sacerdotal. Sentir e testemunhar a alegria de ser padre implica e exige viver com espírito diariamente renovado esta peculiar relação de cada um de nós sacerdotes com Deus, com a Igreja e com o Mundo. E o segredo deste desafio constante do equilíbrio pessoal, da harmonia de vida e da eficácia do ministério consiste nesta disponibilidade para, em cada dia que começa, acolhermos com constância e reafirmando o encanto do dom da vocação, a graça da comunhão e a bênção de uma vida dada e despojada a favor do povo” – Da Nota para o V Simpósio do Clero (5/8-9-2006), de 28 de Junho de 2006.