Natural do Bunheiro, antes de ser Bispo foi pároco de Ílhavo, governador do Bispado de Aveiro e por duas vezes vigário geral da Diocese.
D. Júlio Tavares Rebimbas, antigo bispo do Algarve, auxiliar do Patriarca de Lisboa, primeiro prelado de Viana do Castelo e arcebispo-bispo do Porto, morreu no 6 de Dezembro, aos 88 anos, na Casa de Saúde da Boavista (Porto). O seu funeral realizou-se na terça-feira, 7 de Dezembro, pelas 14h30, na Sé do Porto, seguindo o cortejo fúnebre para o Bunheiro (Murtosa), sua terra natal, onde foi sepultado no jazigo da família.
“Em todos os relevantes cargos eclesiais, o Senhor D. Júlio foi um dedicado Pastor do Povo de Deus, concretizando o espírito e as determinações do Concílio Vaticano II, quer nas iniciativas que tomou quer no seu modo cordial e próximo de estar e proceder com todos”, escreve o bispo do Porto, D. Manuel Clemente, em texto publicado no sítio da diocese. “Foi constante amigo do seu clero e deixou em todas as Dioceses que serviu um rasto de gratidão e simpatia, inteiramente merecidas”, acrescenta.
D. Júlio Tavares Rebimbas residia na Casa Diocesana de Vilar, “estrutura de grande importância para a actividade pastoral, que edificou e bem denota o seu empenho e clarividência”, afirma D. Manuel Clemente sublinha que a “Diocese do Porto está profundamente grata” ao arcebispo-bispo, “guarda no coração o seu testemunho e pede a Deus a maior recompensa dos seus muitos e generosos trabalhos”.
Foi Bispo do Algarve de 1965 a 1972, Arcebispo de Mitilene e Auxiliar de Lisboa de 1972 a 1977, e primeiro Bispo de Viana do Castelo, de 1977 a 1982. No dia 18 de Fevereiro de 1982 foi nomeado arcebispo-bispo do Porto, tendo resignado a 13 de Junho de 1997, aos 75 anos.
Na Diocese de Aveiro
Filho de Sebastião Tavares e Maria Antónia Tavares Rebimbas, ele pequeno agricultor, ela costureira, D. Júlio Tavares Rebimbas nasceu a 21 de Janeiro de 1922, estudou nos seminários do Porto e de Lisboa e foi ordenado padre por D. João Evangelista de Lima Vidal, em 29 de Junho de 1945, em Pardilhó. Celebrou Missa Nova, na sua terra natal, em 8 de Julho de 1945, sendo, no mesmo ano, nomeado coadjutor do pároco de Ílhavo. Em 1946 foi nomeado pároco de Avelãs de Cima e Avelãs de Caminho, em Anadia. Em 21 de Outubro de 1949, tornou-se pároco de Ílhavo. Em 1958, foi nomeado vigário judicial da Diocese de Aveiro e, no ano seguinte, vigário geral. No mesmo ano, o Papa João XXIII nomeou-o monsenhor. Em 1961, foi nomeado Director do Colégio Liceal João de Barros, em Ílhavo.
Em 1962, foi eleito vigário capitular da Diocese de Aveiro, por falecimento de D. Domingos da Apresentação Fernandes. Em 8 de Dezembro do mesmo ano, foi nomeado governador do Bispado de Aveiro, na ausência de D. Manuel de Almeida Trindade, no II Concílio do Vaticano. Em 1963, seria nomeado consultor diocesano e de novo vigário geral da Diocese.
Foi presidente da Assembleia-Geral da Santa Casa da Misericórdia de Ílhavo e membro de várias comissões e conselhos. Fundou, em 1954, o boletim “Família Paroquial”, o Centro de Formação e Assistência de Ílhavo, o Património dos Pobres de Ílhavo e o Lar de S. José. Pelo seu trabalho no campo social, a Câmara Municipal de Ílhavo condecorou-o em Abril de 2010.
Em 27 de Setembro de 1965 foi eleito, pelo Papa Paulo VI, Bispo do Algarve e tomou parte na última sessão do II Concílio do Vaticano. Em 26 de Dezembro, dia de Santo Estêvão, do mesmo ano, foi ordenado Bispo no Estádio de Ílhavo.
J.P.F./Ecclesia
Manifestações de pesar
Cavaco Silva, Presidente da República
“Foi com grande pesar que tomei conhecimento da morte de D. Júlio Tavares Rebimbas, Bispo emérito do Porto, figura marcante da Igreja Católica portuguesa, prelado que se destacou pela sua grande sabedoria e por notáveis qualidades de pastor.
Neste momento de luto para todos aqueles que tiveram o privilégio de com ele privar, apresento as mais sentidas condolências à Diocese do Porto e a todos os seus fiéis”.
D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga e presidente da Conferência Episcopal
“Sublinho particularmente o aspecto de [ser o] primeiro bispo da diocese de Viana do Castelo, com a capacidade que teve de a marcar com a sua dimensão pastoral, com o seu espírito combativo. Em termos pessoais, era um verdadeiro colega, mais velho que eu. Não se coibia de dar conselhos, de dialogar de forma séria e profunda, o que caracteriza um carácter e uma personalidade muito rica”.
