Dão-me licença de ter um desabafo?

Colaboração dos Leitores Se me dão licença, vou ter um desabafo, melhor, vários.

Estou farta de ligar a televisão e ver a euforia histérica que está a acompanhar a nossa Selecção de Futebol, no 2008.

Estou farta de ver “endeusar” um rapazinho que é apelidado, por muitos, como o melhor futebolista do mundo e que diz de si mesmo: “eu sou mesmo bom, até posso ser o melhor…”. Como ainda não está maduro, essas atitudes estão a estragá-lo. Dizem os mais ingénuos: ele até é tão bom que tem ajudado a família. Isso é o mínimo que um menino de 23 anos pode fazer pela família, que lhe deu tudo, a começar pela vida e passando pela bola de trapos com que “iniciou” a sua carreira. Ganhando, num dia, o que muitos não ganham num ano, pode até dar-se ao luxo, e dá mesmo, de comprar relógios de pulso cravejados a pedras preciosas no valor de 100 000 euros. Mas cuidado, porque tantos elogios podem subir-lhe à cabeça… (…)

A dita euforia histérica que está a acompanhar a selecção é considerada, por muitos comentadores e por mim, que sou leiga no assunto, mas não sou tola, como prejudicial. Ainda não ganhamos nada e festejamos como donos do título. Patriotismo, sim – todos desejamos que a nossa selecção faça boa figura e ganhe a Taça, mas esperemos pelo dia 29 de Junho. Se ela vem, o país que já anda bem distraído do essencial, fecha para férias e não há crise que o abale.

Subam mais os combustíveis, aumentem as listas de espera para as cirurgias ou consultas de vida ou de morte, passem fome milhares e milhares de portugueses, extingam de uma vez a “classe média” – fiquem só os ricaços e os pedintes, mudem-se as empresas para outros países onde os operários não querem só emprego, mas também trabalho, continuem as fraudes em tudo quanto é sítio, público ou privado, mas … biba Portugal – ganhamos a Taça.

Maria Fernanda Barroca