Colaboração dos Leitores Pela primeira vez as autoridades chinesas permitiram que os seus alunos participassem no Programa Internacional para Avaliação dos Estudantes (PISA – Program for International Student Assessment). Divulgados os resultados dos testes de 2009, onde foram avaliados os conhecimentos de Matemática, Ciência e Leitura de estudantes com 15 anos de idade de 65 nações, a China ficou posicionada no topo em todas as categorias: Matemática, Leitura e Ciência.
No meio do ranking ficaram os estudantes americanos resultados, aliás, semelhantes aos atingidos em anteriores avaliações PISA.
Numa época em que os cérebros são considerados a moeda da Nova Ordem Mundial, de “olhos em bico” ficaram os políticos responsáveis pela educação quando se aperceberam que o “míssil da educação da China está apontado aos EUA.”
Com o perigo eminente de “a América estar a ficar para trás”, o Presidente Obama apelou a um esforço acrescido tipo Sputnik no sentido de inverter as consequências destes resultados, o que levou o seu Secretário da Educação, Arne Duncan’s, numa atitude racional e objectiva, a reconhecer que nesta matéria estão mesmo em crise com difícil superação à vista na medida em que todo o sistema já está muito viciado, o lobby do ensino é forte, exige dinheiro e esquecem que a educação, embora tenha alguns custos associados é, antes de mais, uma questão de Ética.
Um dos maiores problemas actuais das escolas é ter-se fomentado uma cultura de corrupção de carácter na educação dos jovens, uma cultura de brandura, ociosidade e permissividade. Eles fazem o que lhes apetece, tornam-se viciados, dependentes e parasitas, não só do Estado como também da família que trabalha para os sustentar.
As escolas passaram a ser lugares de diversão, de encontros com amigos, não se levando a sério o trabalho que lá se deve desenvolver. Também a corrupção e a fraude, o copiar, o recorrer ao copy-paste, o enganar o professor e outras formas airosas de passar sem saber, passou a ser uma prática corrente dos alunos que não percebem que são, essencialmente, os mais prejudicados e lesados.
Convém ainda recordar, alertam alguns especialistas no assunto, que des-sexualizar a escola, não permitindo “demonstrações públicas de afectos” e rejeitando a distribuição livre de preservativos ou anticoncepcionais, será uma boa forma de ajudar os alunos a concentrarem-se na matéria que têm de aprender. Também a “linguagem ordinária”, que tanto se generalizou, e o uso e abuso de vestuário excessivamente reduzido nas meninas ou as calças nos rapazes, plenas de buracos, a escorregarem pela cintura abaixo, deixando ver as suas boxers, não será de todo aconselhado a quem precisa de aprender tudo na vida.
Um outro inimigo da aprendizagem é a facilidade com que eles acedem aos media. Grande parte passa horas diárias a fio em frente do televisor, ao computador, ao telemóvel, etc. Quanto ao sexo, não tenhamos dúvidas nem preocupações com programas e démarches desnecessárias ou de qualidade duvidosa pois, à distância de uns cliques de rato, têm disponível pornografia gratuita com, eventuais, “encontros sexuais imediatos”.
Conclusão: em matéria de educação o que os jovens precisam é de um sistema de ensino com significado, que lhes dê uma visão mais ampla e aberta do que o mundo dos seus próprios apetites, que os pais lhes transmitam valores, referências, bons exemplos e hábitos de trabalho e virtudes que são indispensáveis a uma vida digna, com disciplina, justiça e respeito por si e pelos outros. Os professores para além de lhes ministrarem o saber, o saber fazer e o saber aprender, terão também de ser educadores do carácter, uma vez que na escola eles substituem os seus progenitores – “in loco parentis”.
Maria Susana Mexia
