Diálogo… e tirania!

1. Um oásis de serenidade e reflexão profunda, um dia de interpelação ao conhecimento, repassando o esforço de ícones do exercício da inteligência, uma jornada de diálogo entre a ciência honesta e a reflexão teológica humilde e sem preconceitos.

Um dia de cansaço, a pensar, a reflectir, a investigar, em busca das razões da esperança, na convicção de que o Deus que nos cria pensantes é o mesmo que nos interpela para a caminhada da Fé. Um exercício de observação dos esforços da ciência, ofertando o contributo da ciência teológica.

A sua cumplicidade é não apenas uma possibilidade, mas uma necessidade e conveniência de real complementaridade e convergência: a teologia humaniza a ciência, a ciência convida a teologia à consistência e ousadia.

A inculturação do Evangelho, tornando-se mensagem interpelativa para cada tempo e cada lugar, é precisamente este diálogo fecundo com a ciência, que se torna cultura, deixando-se ambos ‘provocar’ mutuamente, para que se plasme uma matriz cultural, uma posição de investigação e um atitude teológica convergentes em benefício do homem total, sem reducionismos, sem falsos triunfos, sem ambiguidades.

Um longo dia de elevada qualidade!

2. A par disso, uma catadupa de declarações, de ameaças, de mentiras, de acusações…, a deixar a multidão dos cidadãos cada vez menos pensantes, mais incrédulos e preocupados. Sobretudo, esgotados pelas impostas exigências de limitações de proveitos, confusos e à beira do desespero em busca de impossíveis formas de sobreviver.

É ridícula esta contraditória atitude de quem ora tem a chave do sucesso na mão, ora anuncia a catástrofe eminente por culpa dos seus adversários políticos. Nem pensa nem faz pensar, nem estimula a investigação consistente das soluções possíveis e aceitáveis. É um rodopio de baratas tontas, desgastando com sobressaltos aqueles que ainda querem resistir pela esperança, em busca de caminhos exigentes mas credíveis.

Repugna uma postura permanente de verdade absoluta, de impossível presunção, de reafirmada capacidade exclusiva, diante dos factos que comprovam fracasso atrás de fracasso. E depois, como se apela ao espírito patriótico…, para salvar apenas os “vampiros”, pelos vistos ainda não saciados do sangue e suor do povo.

Desde que a mediocridade da ciência e do conhecimento se tornou dogma do poder, os dias de Portugal arrastam-se penosamente de abismo em abismo.

Um longo caminho de agonia consciente e consentida!