O debate nacional da educação prossegue, com uma vasta gama de realizações, mais locais, mais nacionais, sobre aspectos genéricos da educação, sobre áreas específicas, em perspectivas neutrais ou sob quadros de valores éticos e religiosos… Um mundo de iniciativas, um caudal de energias assinalável, uma vontade férrea de muitos, para encontrar alguns caminhos que ajudem a melhorar a educação em Portugal.
Uma associação de empresários aposta na educação, para superar o insucesso escolar, como um dos caminhos para recriar a esperança, a viabilidade do nosso país. Muitas escolas, de iniciativa estatal ou de iniciativa privada, desenvolvem projectos, congregam parcerias, desencadeiam sinergias, desdobram-se em excelentes práticas educativas, para recuperar o futuro das gerações a despontar.
Resta sempre a questão de saber se a governação, que aplaude tudo isto, escuta e assimila alguma coisa do que se diz ou do que se faz, se respeita a legítima autonomia, se deseja, de verdade, o sucesso educativo… Ou se, ao contrário, traçou o seu programa ideológico, que vai sobrepor a tudo o que lhe resista; se vai substituir-se à sociedade civil, na ânsia de a moldar a seu gosto e de a colocar a seus pés, em vez de a servir e dar suporte à sua iniciativa.
Neste momento, subsiste a impressão de que tudo é uma encenação de desejado debate, para a ele fazer ouvidos moucos. Há mesmo a sensação de que se brinca com o entusiasmo dos verdadeiros educadores, projectando e aprovando legislação que os ignora ou os atira para o descrédito público, quando reagem mais fortemente a medidas pouco discutidas e, consequentemente, muito questionáveis.
Bem sabemos que têm de ser pedidas contas da administração do dinheiro dos contribuintes. Porém, não haverá forma de combinar a equidade com a excelência, desencadeando a fiscalização dessa administração nas comunidades educativas, para premiar as boas práticas e corrigir os desvios, em vez de cortar, sem discriminação positiva, as fatias do orçamento?…
Já há muito que se ouvia dizer de escolas apetrechadas de todo o material pedagógico, às vezes encaixotado anos a fio, com resultados de baixa qualidade! E de outras que, com parcos recursos, faziam maravilhas de sucesso escolar, pela formação e dedicação dos seus docentes e auxiliares de acção educativa, pelo empenho dos pais. Não haverá forma de aferir essas situações, pondo a descoberto os verdadeiros oásis de gestão curricular, de práticas pedagógicas, de administração escolar, de compromisso da comunidade local, que resultam em visível crescimento de competências dos educandos – uma outra forma de fazer a avaliação das escolas?
O “debate vai no adro” e já está a terminar. Esperamos que haja a coragem de levar a “procissão para a rua”, mesmo que tenha terminado a “festa institucional”!
