Seminário Internacional sobre o Sal Português Aveiro acolheu a realização do 2º Seminário Internacional sobre o Sal Português, subordinado ao tema “A articulação do sal português aos circuitos mundiais – antigos e novos consumos”, organizado por Inês Amorim do (Instituto de História Moderna e da Faculdade de Letras da Universidade do Porto), Filomena Martins (do Departamento de Ambiente da Universidade de Aveiro) e Ana Margarida dos Santos (da Universidade de Aveiro).
Este seminário tem por base os trabalhos que estão a ser desencadeados por iniciativas como o Projecto SAL – Sal do Atlântico “Revalorização da identidade das salinas do Atlântico; recuperação e promoção do potencial biológico, económico e cultural das zonas húmidas costeiras”, e do Projecto SAL(H) INA – História do Sal / Natureza e Meio Ambiente – Séculos XV a XXI.
A evolução da barra e do porto de Aveiro teve um papel relevante no ciclo da produção de sal na ria de Aveiro. Nicole Devy-Vareta, doutorada em geografia humana e docente na Faculdade de Letras do Porto, realçou que “as obras na barra, no porto e nos vários canais da ria interferiram directamente na circulação hidrológica e nos processos de erosão / deposição de sedimentos na ria”, o que teve consequências no espaço das marinhas e na respectiva produção de sal.
Depois de constatar que “a actividade da recolha de sal se encontra em decadência” e que existem muitas marinhas abandonadas, Carlos Coelho, da Secção Autónoma de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro, sublinhou que “o processo de degradação e abandono das marinhas é acelerado pelas fortes correntes de enchente, que penetram no interior da laguna, destruindo os muros de protecção das marinhas (motas). As motas são pequenos diques rudimentares, construídos pelos agricultores, com baixas quotas de coroamento e constituídos pela consolidação de lodos com pedras e matéria orgânica. Essas motas garantiam a defesa da laguna contra o avanço das águas salgadas e controlavam, com o apoio de comportas, a hidrodinâmica da ria”.
Actualmente, e como refere esse investigador da Universidade de Aveiro, “as motas não protegem de forma eficaz os terrenos, devido ao deficiente estado de conservação, à permeabilidade e à reduzida cota de coroamento”.
