Estarreja O processo para a localização da nova fábrica que o Grupo IKEA vai instalar em Portugal chegou ao fim, com o Eco-Parque de Estarreja a ser preterido em favor de uma zona integrada na REN (Reserva Ecológica Nacional), do concelho de Paços de Ferreira.
Em nota de imprensa, o presidente do executivo municipal de Estarreja, José Eduardo Matos, contesta a decisão, afirmando que “existem algumas sombras no processo de escolha e de influência, cuja luz e desenvolvimentos se aguardarão proactivamente”.
O autarca lamenta que “a assumida imagem de referência ambiental do grupo sueco fique manchada com esta nódoa de solução forçada com utilização de REN e RAN, quando há excelentes alternativas de localização em espaço industrial, como o Eco-Parque de Estarreja”.
Na opinião de José Eduardo Matos, “a Administração Pública não pode agir ou emitir pareceres em violação dos princípios da imparcialidade e da legalidade. Infelizmente, foi exactamente isso que fez a CCDRN (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte)”, que “fundamentou o acto de desordenamento do território e de mau ordenamento que possibilita a instalação física da fábrica do IKEA. Ao lado, invocou legislação revogada e uma então inexistente declaração de PIN (Projecto de Interesse Nacional). Esta atitude, por decisiva para a opção do empresário, é criminosa no seu alcance; daí a nossa profunda indignação”.
Depois de dizer que “é indesmentível o interesse nacional neste investimento estrangeiro”, o autarca realça que “não pode é ser atraído e instalado a qualquer preço ou condições”, até porque “grande foi o esforço e o rol de incentivos oferecidos ao IKEA (por certo a fazer justamente inveja a muitos outros empresários) e cujo pacote deve ser divulgado”.
José Eduardo Matos é taxativo ao afirmar que “o Governo não pode pactuar com ilegalidades e parcialidades. E os critérios de PIN devem ser mais exigentes em ordenamento e em ambiente, até porque o IA (Instituto do Ambiente), ICN (Instituto de Conservação da Natureza) e DGOTDU (Direcção Geral do Ordenamento do Território e Desenvolvimento Urbano) compõem a Comissão. Aguardamos esclarecimentos oficiais já pedidos, também sobre a actuação da CCDRN”.
