Editorial “A fecundação é o marco da vida” – escreve o Prof. Lejeune. O que quer dizer que, logo que se dá a junção dos cromossomas transportados pelo espermatozóide com os cromossomas do óvulo, está reunida toda a informação genética do novo ser humano. Nada mais é acrescentado, para que o ser humano se desenvolva. A mensagem dessa junção é uma vida nova em desenvolvimento, uma vida humana.
Algo que se interrompe, supõe-se que permite retorno. A gravidez é um processo sem retorno. Se se interrompe, termina! E esse processo é o do desenvolvimento da vida humana. Se é interrompido, não tem retorno – o que significa que se acaba com o desenvolvimento da vida! Sejamos claros: é aborto! É termo posto à vida humana! E isso não é crime? Que diferença em relação a qualquer homicídio, a não ser a agravante de ser um acto contra um indefeso?
A fecundação comporta a emigração e encontro de elementos, do pai e da mãe, que já não são células dos seus corpos, mas células em transformação a caminho de uma verdadeira e irrenunciável autonomia. Deixaram de integrar os seus corpos. Esse encontro e novo caminho pode mesmo começar fora do ventre materno. O zigoto (ovo) já não é um apêndice do pai ou da mãe. Portanto, não se pode dispor dele como de um tumor a extirpar, como de um membro a dispensar. Tornou-se vida indisponível!
E vida humana, perfeitamente distinta da de outro ser vivo. Ainda antes da implantação no útero, se retirarmos uma célula e a cultivarmos, se analisarmos os seus cromossomas, são inconfundíveis com os de qualquer outra espécie. A célula de DNA contém o tema originário, que se desdobrará na sinfonia da vida humana, desde as primeiras divisões até à morte., sem qualquer forma de confusão com outros códigos genéticos.
Na questão de um referendo à alteração da lei do aborto, como ela é posta aos portugueses, não se trata de perguntar se entendemos que uma mulher que faça o aborto deve ou não ser penalizada, deve ou não ir para a cadeia. Trata-se de dizermos se defendemos ou não que seja constituído seu direito, ou de outrem qualquer, de dispor deste ser humano em desenvolvimento, considerando-o erradamente um seu apêndice, e de matar este feto indefeso; se concordamos com o uso dos nossos impostos para fazer esse crime nos serviços públicos de saúde.
E que dizer da eliminação dos embriões que indiciam mal formação? Tantos casos, cujos pais preferiram correr o risco, em vez de o eliminarem, resultaram em pessoas felizes, úteis, transformadoras do seu próprio ambiente familiar, mesmo quando portadoras de deficiência!
Não enganem os portugueses com eufemismos! Dêem a cara, chamando as realidades pelos seus nomes! Desmascarem essa ingenuidade de benfeitores sociais, assumindo, isso sim, a responsabilidade de cultores da morte, em vez de serem – como é obrigação de todos – de defensores da vida e de dedicados promotores do apoio social necessário às grávidas em dificuldade!
