Pajem da Rainha do Vouga

Memória CV – Há 76 anos O Correio do Vouga completa amanhã 76 anos. Nos dois anos de existência deste espaço (“Memória CV”), temos recordado pessoas e factos a que este jornal deu relevo em algumas das cerca de 50 mil páginas editadas ao longo destes 76 anos. Na proximidade de mais um 16 de Novembro, o assunto não podia deixar de ser o próprio CV.

Este jornal tem mais oito anos do que a diocese de Aveiro restaurada. Aliás, o seu próprio nome aponta para a restauração da diocese. Tem algo de “independentista”, pois contrapunha-se ao Correio de Coimbra, semanário da diocese em que a maior parte do actual território da Igreja aveirense estava inserida em 1930.

Numa magnífica peça literária, espécie de estatuto, António de Christo, primeiro director do jornal, revela no nº 1 o carácter católico e regionalista do CV, que se propõe ser o pajem da região do Vouga. Vale a pena recordar.

«O Correio do Vouga é um jornal católico – e só com afirmá-lo, traçou maravilhosamente o seu luminoso programa. Não tem mestres a quem levante estátuas de oiro, como fez outrora o imperador António».

«O Correio do Vouga respeita o vocabulário e não tem medo das palavras: afirma-se regionalista. Deseja ardentemente o progresso material e moral desta terra encantadora; patrocina as suas melhores aspirações; combate valorosamente pelo triunfo dos seus legítimos interesses».

«(…) Bem longo e doloroso tem sido o negro calvário da esbelta Rainha do Vouga – tão formosa e desventurada! É tempo de reparar os ultrajes dos algozes e a desapiedada indiferença dos que não sabem condoer-se da sua triste sorte».

«O seu novo pajem não lhe prolongará duro martírio; antes irá colhendo louros, na medida das suas forças, para a glorificante coroa do seu ambicionado triunfo».