Ainda os crucifixos

Colaboração dos Leitores A atitude titubeante da Srª Ministra duma coisa horrível e improfícua, a que chamam “educação”, de, fundamentada no laicismo do Estado que não é agnosticista, ter mandado retirar de “só algumas” escolas do ensino básico a imagem de Cristo crucificado, pretendendo atenuar a gravidade do gesto pela sua fraca expressão quantitativa, submetendo crianças a um acto de regeneração da sua própria identidade, retirando-lhes a matriz do seu alicerce moral e cívico e a condição indispensável ao seu progresso mental, que é o culto dos heróis, deixando no seu lugar o vazio e um prego, constituiu a mais torpe machadada no destroço do que resta do sistema educativo em Portugal.

A figura de Cristo significa muito mais do que um símbolo ligado às religiões de raiz cristã; é a divisa emblemática da civilização ocidental, erguida sobre o seu sangue, por isso também chamada cristã, constituindo pela sua mensagem uma referência sempre actual de fraternidade e de virtudes morais e cívicas, que estão subjacentes às regras teóricas de conduta, que continuam a informar os procedimentos do Direito e da Justiça e a delinear a laicidade no ordenamento do Estado, que o homem ocidental há dois milénios finalmente encontrou e dela profundamente se impregnou, conferindo-lhe uma indelével marca da sua identidade. Coube a nós portugueses a maior glória do apostolado de Cristo, que, em mais de oito séculos e pelas cinco partidas, inspirou a Gesta e animou a vocação missionária, bandeiradas em Cry e Mensagem marcando-nos mais do que a qualquer outro povo com um profundo e bem merecido cunho de identidade cristã.

Pensando melhor, numa instituição em liquidação, onde impera a indisciplina, a inversão hierárquica, onde os sentidos da moral e da justiça não se oferecem, fazendo rebater ou mesmo abolir a fronteira entre o bem e mal, transformando crianças em monstros de peso social incontestável, seria mais lógico que, com coerência e determinação, a Srª Ministra mandasse retirar não “só alguns” mas “todos” os crucifixos das escolas, poupando a Cristo uma visão que profundamente o deve ferir e entristecer.

Óscar de Figueiredo

Leitor de Mafra