Se alguns argumentos novos surgiram desde o último referendo, eles foram dados pela indústria farmacêutica e são todos a favor do ‘não’. (…) Certamente que muitas menos [gravidezes indesejadas] existiriam, se o Estado e os agentes políticos por ele responsáveis, a começar pelos que mais se indignam com o aborto clandestino e as suas consequências, se aplicassem com mais afinco na formação para a maternidade e a paternidade.
Fernando Madrinha
Expresso, 11-11-06
Caso a nova lei do aborto viesse a ser aprovada, também deveria ser concedido a todos os cidadãos o direito de objecção de consciência no plano fiscal. Os cidadãos que sentem a sua consciência violentada com a liberalização do aborto – é disso que se trata, o resto são sofismas – não deveriam ser obrigados a contribuir com os seus impostos para um acto que tão intensamente agride a sua consciência.
António Pinto Leite
Expresso, 11-11-06
O drama socialista é mais profundo: colocado com uma maioria absoluta no comando de um país em crise, começa a perceber que uma governação responsável passa, essencialmente, por contrariar muitas das coisas em que se habituou a acreditar, mas que já não é possível pagar.
Paulo Ferreira
Público, 12-11-06
Este PS não é de esquerda. O governo também não. Nem Sócrates, aliás. É provável que seja essa a atitude mais sensata. Como é possível que o governo esteja a fazer, pelo menos em parte, o que tem de ser feito. O mais certo é que não haja uma política de esquerda capaz de salvar o que deve e poder ser salvo.
António Barreto
Público, 12-11-06
A grande questão litúrgica é a beleza. Bento XVI tem razão. A beleza litúrgica pressupõe arquitectura, textos e música de qualidade, para exprimir a fé, a esperança e o amor de uma comunidade concreta. Não para dar um espectáculo, mas para criar um clima intenso de oração e de reforma de vida.
A sensibilidade estética de uma comunidade não é um pressuposto imóvil, forma-se.
Bento Domingues
Público, 12-11-06
Portugal é um país de mexericos, inveja, e que gosta de debater não-assuntos.
Margarida Rebelo Pinto
Correio da Manhã, 11-11-06
(…) Estamos cansados. Como portugueses, estamos cansados de viver. Se calhar, a nossa missão histórica acabou.
José Saramago
Público, 12-11-06
