Questões Sociais Apesar das insanáveis dificuldades financeiras, alguns partidos vêm defendendo o aumento de prestações sociais. Como é natural, tais posições são recebidas com simpatia por muita gente, que até exige mais e melhores prestações.
Esta pressão reivindicativa esquece inúmeras situações de carência extrema, para as quais continuamos de costas voltadas. Situações que respeitam a pessoas e famílias: sem nenhum rendimento garantido; sem dinheiro suficiente para pagarem medicamentos, alimentação, água, energia…; sem condições para prosseguirem estudos; vítimas de violência doméstica; muito dependentes (por motivo de deficiência grave, doença profunda, acidente incapacitante, idade muito avançada…)… As pessoas e famílias, que vivem nestas situações, batem a todas as portas à procura de ajuda, ou remetem-se à sua vergonha, à sua solidão e ao seu desespero. Elas não precisam de mais leis, que abranjam umas tantas situações e continuem a abandonar outras. Precisam, sim, de uma rede básica de protecção social com respostas, mesmo provisórias, para todas as situações mais graves. O Estado e a sociedade não têm o direito de lhes recusar as respostas possíveis.
Numa fase em que não há soluções satisfatórias para elevado número de problemas, pede-se ao Estado e à sociedade que não lhes voltem as costas, os atenuem e procurem, gradualmente, tais soluções. As bases da segurança social (Lei nº. 4/2007, de 16 de Janeiro) prevêem esta intervenção no seu artigo 30º., alíneas c) e d); e, para melhor cobertura do território, não seria difícil estimular a existência de grupos de voluntariado social de proximidade. Deste modo se poderia garantir a presença da acção social em todas as localidades, e se poderia também complementar o trabalho dos técnicos e serviços, públicos e particulares.
Quando uma força político-social afirma que devem aumentar determinadas prestações sociais, está a afirmar tacitamente que outras situações podem ser abandonadas, mesmo que sejam mais graves. Ou está a presumir que existem recursos ilimitados para responder a todas. Ao contrário destas perversões, torna-se imperiosa uma forte mobilização de todos nós para a acção social de base, sem exclusões, a integrar numa protecção social mais justa e consistente.
