Democracia e ditadura

Ponta de Lança Há sociedades em que os conceitos se confundem, as realidades ultrapassam a letra e os cidadãos sofrem as consequências dos ditames mais ou menos arbitrários.

Então confrontemos os termos.

Ditadura é o regime político autoritário, em que os poderes legislativo (aquele que faz a lei), executivo (o que executa conforme o legislado ) e judiciário (o que exerce vigilância sobre o legislado e a sua aplicação) estão nas mãos de uma única pessoa ou grupo de pessoas, que exerce o poder de maneira absoluta sobre o povo.

Democracia opõe-se à ditadura e ao totalitarismo, onde o poder reside numa elite auto-eleita. As democracias podem ser divididas em diferentes tipos. A distinção mais importante acontece entre democracia directa (algumas vezes chamada “democracia pura”), onde o povo expressa a sua vontade por voto directo em cada assunto particular, e a democracia representativa (algumas vezes chamada “democracia indirecta”), onde o povo expressa a sua vontade através da eleição de representantes que tomam as decisões em nome daqueles que os elegeram.

Muitas vezes, um e outro regime emergem pela simples razão de combater a anarquia. Anarquismo é a teoria libertária baseada na ausência do governo organizado. De um modo geral, os anarquistas são contra qualquer tipo de ordem hierárquica que não seja livremente aceite, defendendo tipos de organizações horizontais e libertárias, em que a opinião de cada um é absoluta. Daí, surgirem tentativas de confusão através de opiniões individuais e dispersas, subjectivas, a tentar fazerem-se passar pela voz do povo. E o povo, por tantas vezes ouvir uma mentira, um boato, uma opinião infundada, acaba a acreditar que é verdade.

Assim, o importante é preservar, antes de tudo, a verdade e o contexto onde se desenvolve (a inculturação, o “sitz im leben” de algumas escolas da história das formas alemãs), depois a responsabilidade e, por fim, a democraticidade, a experiência da aceitação da presunção de ser justa e recta a conduta dos que foram eleitos para exercer o poder em nome de todos.

Nunca há ditadura ou “mando, posso e quero”, enquanto prevalecer a verdade da prova. Aquela que, mesmo que desagrade a muitos, preserva a equidade, o bem de tudo e de todos. Seja aqui, seja na Venezuela, na Grécia, em Tróia, ou noutro lugar qualquer do mundo,… por mais que isso custe a uns poucos, que confundem presença e verticalidade com concordância única e exclusiva com os seus interesses e ideias!

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