Tempo de mudar

À Luz do Dia Há quem viva com a nostalgia do passado e quem olhe para aquilo que viveu como o melhor tempo da sua vida. Acontece, é frequente e até humano; mas uma atitude excessivamente retroactiva, por assim dizer, pode impedir-nos de avançar e de mudar aquilo que precisa de ser mudado e melhorado.

O passado é sagrado, porque é dele que tiramos sentido para o presente e para o futuro e é ele que nos permite ser fiéis a nós próprios no que é essencial. Falo de uma fidelidade profunda, ao nível da consciência, e não de uma fidelidade aos acontecimentos ou a certas escolhas que fizemos.

Há grandes lições a tirar do passado, seja ele um tempo recente ou remoto, mas também há grandes descobertas e algumas surpresas. Rever a nossa história pessoal sem nos julgarmos, olhando para ela como se víssemos um filme, é um exercício muito revelador e pode ser uma excelente catarse. Quase um ponto de partida. E uma oportunidade de renovar o que tem que ser renovado e esquecer o que deve ser esquecido. De varrer, limpar e purificar, portanto.

Todos temos coisas urgentes e importantes na vida, mas nem sempre as mais urgentes são as mais importantes. É bom parar de vez em quando, para reflectir e perceber quais são os verdadeiros desafios interiores e exteriores. É nas alturas em que paramos que vale a pena fazer esta espécie de revisão de vida.

Muitas vezes vivemos de maneira reactiva e, nesta lógica, alguém disse que nos podemos comparar a um tenista que está no court a aprender a devolver bolas. A atitude mais frequente é devolver o maior número possível de bolas, tentando ir a todas. Ora acontece que nem todas as bolas merecem ser devolvidas. Há muitas que são para deixar cair e outras que devem ser evitadas a todo o custo. E rapida-mente esquecidas. Como se nunca tivessem existido. Mas há outras que é preciso saber receber e saber devolver e é nestas que devemos concentrar-nos, porque são estas que puxam por nós, nos obrigam a dar passos e nos levam mais longe.

Tal como o tenista evolui na aprendizagem e no campo, treinan-do formas cada vez mais certeiras de devolver as bolas estratégicas, também nós avançamos na vida antecipando com inteligência algumas jogadas, decidindo com liberdade quais as bolas que devemos deixar cair e quais as que devemos atirar de volta.

Voltando ao início ou, para ser mais exacta, voltando atrás à história do nosso passado recente, é bom olhar para este tempo, porque ele contém sinais inequívocos daquilo que é importante para nós no presente e permite estabelecer prioridades para o futuro. Isto, claro, quando sentimos que estamos em tempo de balanço e mudança.