Colaboração dos Leitores Sou uma jovem avó que procura estar o mais presente possível sem, logicamente, tirar o lugar aos pais.
Há uns tempos, num sábado de manhã, estava na sala com as minhas netas, das quais a mais velha tem cinco anos.
Na televisão passava uma série chamada “O mundo de Patty”, sobre a vida dos e das adolescentes com idades entre os treze e os catorze anos. O diálogo era dobrado em português com uma horrível e pobre linguagem que em muito envergonha a nossa milenária língua, para já não falar do tom das vozes que de normal tinham muito pouco ou nada. Quer dizer: qualidade zero…
Como se tudo o atrás descrito não chegasse, o tema da série que retratava a vida do dia-a-dia desses ditos adolescentes era – o teu namorado, a minha namorada, trocados e não trocados por outros, enfim, uma pobreza de diálogo, de ideias, de ideais e de referências tão necessárias àquelas idades.
Claro está que a minha neta mais velha, as outras ainda são demasiado pequeninas, estava “vidrada” naquela porcaria possidónia e nada a fazia distrair por mais que eu tivesse tentado. Infelizmente o vídeo estava estragado.
Ora, numa altura em que tanto se tem falado de pedofilia e pornografia, estas séries podem-se considerar um pouco disso, na medida em que despertam prematuramente a sexualidade dos miúdos fora do contexto normal da família e não tem que ser a televisão a fazê-lo de forma tão miseravelmente pobre, desbocada e perversa.
Recordemos que ao sábado de manhã, a maioria das famílias está a trabalhar, dentro ou fora de casa, as crianças estão sozinhas e disponíveis para absorver tudo o que lhes “impinjam” sem qualidade ou critério e sem terem com quem trocar opiniões sobre o tema, balizarem-se ou esclarecerem-se.
Este é o desabafo de uma avó que sempre lutou pelos valores e por uma família sã, composta por gente normal e boa em todos os sentidos.
Deixem as crianças ser crianças e não tenham pressa de os fazer adultos sem que para isso estejam preparados.
Isabel Cabral
