“Há problemas reais em muitas empresas, decorrentes das políticas seguidas, mas, à boleia da crise, há oportunismos nalguns aspectos ignóbeis”, afirma Joaquim Almeida, dirigente da União de Sindicatos de Aveiro (USA), ao revelar os dados mais recentes sobre o desemprego no distrito de Aveiro.
De acordo com o IEFP (Instituto do Emprego e da Formação Profissional) havia em Dezembro, no distrito, 28 937 desempregados (402 545 no país). O número revela alguma gravidade porque cresceu 15 por cento em relação a Dezembro de 2007 (no país a variação foi de 6,65 por cento) e 3,46 por centro em relação a Novembro de 2008 (no país a variação foi de 1,67 por cento). Em resumo, o desemprego sobe mais no distrito de Aveiro do que no país em geral.
Joaquim Almeida considera, no entanto, que os números não correspondem à realidade. A realidade é pior porque “os dados do IEFP não contabilizam os desempregados em formação profissional em regime de POC [programa ocupacional que isenta o empregador de algumas contribuições fiscais durante algum tempo]”. A taxa de desemprego real deve rondar os 10 por cento, correspondendo a 40 mil desempregados no distrito. A este número, o dirigente sindical acrescenta que 33 por cento dos trabalhadores estão em situação precária. Ou seja, um em cada três empregados pode, com muita facilidade, ser despedido. E pelo menos 27 empresas, em oito sectores analisados pela USA, têm salários em atraso. Com os recentes despedimentos do sector corticeiro, Joaquim Almeida teme que o conselho de Santa Maria da Feira se torne um “novo Vale do Ave”.
Observatório da situaçãosocial
O dirigente sindical acha lamentável a situação a que o país chegou. “Depois de tantos sacrifícios para alcançar o oásis e o pelotão da frente, não saímos da cauda”, afirma. Para ultrapassar a crise, Joaquim Almeida propõe que se altere o Código do Trabalho, se amente o subsídio social de desemprego e se taxem as grandes fortunas. Para 13 de Março a CGTP-IN, à qual a USA está afecta, convocou uma manifestação nacional.
No imediato a USA lançou a ideia de um “observatório da situação social sob a égide do Governo Civil”. O observatório, se avançar (o Governo Civil ainda não respondeu), será constituído pela USA, a Associação Industrial do Distrito de Aveiro (AIDA), a Associação Comercial de Aveiro (ACA), a Segurança Social, o IEFP e a ACT (Autoridade para as Condições do Trabalho). Interrogado pelo Correio do Vouga se as instituições particulares de solidariedade social estariam representadas no observatório, o dirigente sindical respondeu que não colaborava com “instituições cujo objectivo é sempre pedinchar”. Afirmou a seguir que a acção social das IPSS devia ser sempre financiado pelo Orçamento do Estado e não, como por vezes acontece, pela Segurança Social, cujas receitas provêm basicamente dos trabalhadores.
Jorge Pires Ferreira
6283
Número de desempregados no concelho de S.ta Maria da Feira. Segue-se Aveiro (3104) e Ovar (2956). O conselho com menos desempregados é a Murtosa (337). Onde, percentualmente, o desemprego mais aumentou foi em Vale de Cambra (mais 27,46 por centro em comparação com Dezembro de 2007), seguindo-se Oliveira de Azeméis (25,51 por cento) e Albergaria (22,35 por cento).
17577
Número de mulheres no desemprego, o que significa 61 por centro dos desempregados registados.
Os dados apresentados nesta página não contabilizam as centenas de despedimentos anunciados já em 2009, designadamente nas empresas Amorim e Suberus (sector da cortiça), Ecco/Let e Aerosoles (calçado), Simar, Percolor e Isocar (metalurgia), António Marques de Almeida, Serrado e CKP/Cacia (sector gráfico e papel), entre outras.
