Desperta o valor que há em ti

Poço de Jacob – 26 Quando a Samaritana encontrou Jesus, não imaginava o seu potencial de anunciar uma boa nova que mudasse vidas: Vinde ver um homem que disse tudo o que eu fiz… Provavelmente, não seria novidade o que ela fez, mas podemos imaginar a intensidade e a autenticidade com que ela terá anunciado. Moveu e comoveu os habitantes da pequena aldeia. O mesmo terá feito André com Pedro, ou quando anunciaram a Filipe que Jesus tinha aparecido… É assim, de boca em boca, até aos dias de hoje. De boca, porque dizem que a fé entra pelos ouvidos, mas também pelos olhos pelo testemunho.

O que terá suscitado tanto entusiasmo e tanta vocação para anunciar? Tanto entusiasmo para muitos darem a vida pelo que e por quem anunciavam? Sem dúvida que é marcante o facto de o Evangelho supor um forte encontro e diálogo com Jesus.

No Simpósio do Clero, neste Ano Sacerdotal, o Sr. Cardeal de Lisboa disse que nos preocupamos com muitas reuniões que desgastam os padres e, mais ainda, os leigos, que, na sua grande parte, não enchem as Igrejas. Encontrará Jesus, um dia, a Sua Igreja mais reunida do que unida? Coloca-se a eficácia pastoral no que se faz e no quanto se faz. Os padres não têm tempo, muitas vezes, para ler e estudar. Os leigos convocados são sempre os mesmos. E o que é preciso é tão simples: O antigo e sempre novo método de Jesus: dei-xar que Ele se faça encontradiço e que Ele fale, olhe, mova e comova o seu interlocutor.

Para tal, deveríamos apostar na exposição prolongada do Santíssimo Sacramento, talvez em cada paróquia, com «cercos de Jericó» periódicos, com a promoção da adoração perpétua diocesana na cidade de Aveiro. Ele atrai por si mesmo. Vemos isto em todas as cidades famosas do mundo, em dioceses com muitas vocações como algumas da Índia. Ele está ali. Quando Jesus está à disposição, as pessoas sabem dirigir-se a Ele. Está no sacrário, sabemos, mas se a comida estiver em cima da mesa e não fechada no frigorífico, as pessoas atrevem-se a prová-la. Quando se coloca diante do Senhor, prefe-rentemente exposto, pouco a pouco, gera-se na pessoa a consciência da sua condição e das suas capacidades e ela sente-se impulsionada a dar-se. Impossível rezar e ficar só na oração. A verdadeira oração é a alma de todo o apostolado. Se quisermos apóstolos e gente dedicada à pastoral, pensemos em ir pelo método de Jesus. Não excluímos encontros e reuniões. Mas é Ele quem chama e quem faz. Se não lhe dermos a prioridade e a iniciativa as nossas paróquias serão oficinas de pastoral, mas nem sempre de preparação de Santos. Faremos muita coisa, mas com pouca ou nenhuma eficácia, pois somos servos inúteis. Nós mesmos, agentes de pastoral e padres, se não rezarmos, nada produzimos. Por isso, sentimo-nos tantas vezes vazios, cansados e frustrados.

Deixem Deus falar. Deixem que Ele esteja disponível e chamativo. Basta só o gesto de “Vinde ver” e colocá-lo sobre o altar… O resto é com Ele. Que não nos dispensa.

P.e Vitor Espadilha