Deus conduz a história

À Luz da Palavra – XXIX Domingo do Tempo Comum – A A liturgia deste domingo garante-nos que é o Senhor, e ninguém mais, que conduz a história da humanidade, e que, por dentro desta história, vai construindo a história da Salvação. A nossa fé cristã leva-nos a acreditar convictamente na acção de Deus na história e a viver cheios de esperança, porque “Deus não dorme”, segundo o aforismo popular.

Na primeira leitura, Isaías apresenta Ciro, um rei pagão, a ser chamado pelo Deus de Israel como o “seu ungido”, isto é, o “seu consagrado” ou Christós. Embora só os reis de Israel fossem ungidos, Ciro recebe também o título de ungido (messias), porque ele foi o agente de Deus na libertação do povo de Israel, quando este se encontrava exilado na Babilónia, reconduzindo-o a Israel, sua pátria, e facilitando a reconstrução do templo, que havia sido destruído. Deste modo, a Palavra esclarece-nos sobre o papel que o poder civil, mesmo que seja laico, pode e deve ter na construção da obra de Deus, tornando a vida das pessoas e dos povos mais livre e feliz. Tenho consciência de que com o meu trabalho humano estou a construir a história da salvação?

Na terceira leitura, Mateus, a propósito da legitimidade ou não de pagar o tributo a César, põe na boca de Jesus uma resposta lapidar: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Se, por um lado, os cristãos, qualquer que seja a sua responsabilidade na Igreja, devem cumprir integralmente os seus deveres cívicos, pois são cidadãos deste mundo; por outro lado, é importante que saibam distinguir o poder temporal do poder espiritual da Igreja. Sabemos que, ao longo da história, tem havido confusão entre estes dois poderes: perseguição à Igreja, por parte do poder civil ou domínio da Igreja sobre o poder civil; “casamento” destes dois poderes, situações de maior ou menor confusão e fases de convivência pacífica, devido à compreensão das funções de cada poder e ao respeito mútuo que cada um mantém face ao outro. Se o Estado é laico, não o é a sociedade civil, porque esta está matizada com diversas confissões religiosas, como se tem afirmado abundantemente. Como me posiciono eu face a estes dois poderes?

Na segunda leitura, Paulo incita-nos a activar a nossa fé, a reforçar a nossa caridade e a tornar firme a nossa esperança. Sabemos que somos amados por Deus e, por Ele escolhidos para constituirmos o seu Povo. Por isso, não devemos andar pessimistas e derrotados, como se Deus não fosse capaz de cumprir as suas promessas. A sua actuação no coração da história dos que nos precederam na fé é para nós estímulo e esperança de que Ele realizará o seu projecto salvífico, embora nem sempre visível aos nossos olhos humanos, porque Deus actua em jeito de fermento. Tenho consciência crítica face aos direitos e deveres que me incumbem, enquanto membro da Igreja e do povo?

Leituras do XXIX Domingo Comum: Is 45,1.4-6; Sl 96,1-5.7-10 (95); 1 Tes 1,1-5b; Mt 22,15-21