Deus convida-nos a viver na alegria

À Luz da Palavra – III Domingo do Advento – Ano C A Palavra deste domingo convida-nos à alegria, que é um dos frutos do Espírito Santo no coração de todos quantos se deixam conduzir por Ele. Por vezes, damos a impressão de que a vida cristã contém em si algo de sério, que é triste e mortificante, e isto contra o aforismo que diz que «um santo triste é um triste santo». Deus é alegre e é na alegria que Ele nos convida a viver.

Na primeira leitura, o profeta Sofonias faz-nos um chamamento directo à alegria. E esta alegria tanto há-de nascer dentro de nós, porque constatamos que Deus nos ama e reside no meio de nós, propondo a salvação e a felicidade para todos os que O acolhem, como nos há-de vir do próprio Deus, na medida em que Ele nos renova com o seu amor. Deus também exulta de alegria! Deus é alegre! Serei eu capaz de saltar de alegria, ao reconhecer o amor de Deus para comigo, de modo particular na ternura do Menino de Belém?

No evangelho, João Baptista, depois de aconselhar cada pessoa a preparar-se para a vinda do Messias, anuncia a chegada do baptismo de Jesus, que é feito no Espírito Santo, e se contrapõe ao seu próprio baptismo. O baptismo de Jesus consiste em receber a vida de Deus, que actua no nosso coração e o transforma, tornando-nos capazes de compartilhar a nossa vida e de amar como Jesus amou. Esta é a transformação que Jesus há-de operar no coração de todos os que estão dispostos a acolher a sua proposta de libertação. Para estes começará uma vida nova, uma vida onde o egoísmo é eliminado, para passarem a viver segundo o amor de Deus. Não estará neste estilo de vida a fonte de uma alegria pessoal, íntima e transbordante, que ninguém e nada me pode roubar?

Na segunda leitura, Paulo faz-nos idêntico apelo à alegria: “Irmãos, alegrai-vos sempre no Senhor”. Em Belém, os anjos do presépio anunciaram aos pastores uma grande alegria: “Nasceu para vós o Salvador”. A alegria cristã, que hoje nos é vivamente recomendada, resulta da presença salvadora de Jesus no meio dos homens e das mulheres do nosso tempo. Não resulta dos êxitos, nem da acumulação de bens, nem da música e das luzes, nem da saciedade no comer e no beber, nem se exprime na algazarra. A alegria cristã é fruto do Espírito Santo e certeza da presença libertadora do Senhor, que faz desabrochar em nós sentimentos de bondade e mansidão para com os irmãos e irmãs, de confiança e diálogo face a Deus. Poderei eu sentir e viver a alegria, que vem do Espírito de Deus, se o meu coração está fechado com cadeias de intolerância, de prepotência e de incompreensão?

Leituras do III Domingo do Advento – Ano C: Sof, 3,14-18a; Is 12,2-3.4bcd.5-6; Fl 4, 4-7; Lc 3,10-18

Deolinda Serralheiro