Revisitar o Magistério O novo Bispo de Aveiro, aliás na esteira da prática habitual de D. António Marcelino, tem repetido insistentemente, nas suas primeiras intervenções entre nós, querer ser próximo da vida de todos os diocesanos, particularmente dos mais pobres, doentes, solitários ou de qualquer forma debilitados na sua saúde física ou na sua integração social.
Faz parte integrante da sua acção pastoral, do seu cuidado pelo povo que lhe é confiado. “Na acção pastoral do Bispo, não pode faltar uma particular atenção às exigências de amor e de justiça que derivam das condições sociais e económicas das pessoas mais pobres, abandonadas, maltratadas, em cada uma das quais o crente vê um ícone especial de Jesus. A sua presença nas comunidades eclesiais e civis põe à prova a autenticidade da nossa fé cristã”. (PG 69).
A razão profunda desta solicitude paterna pelos desvalidos da sociedade radica no mistério da Incarnação: Jesus assume por inteiro a nossa natureza humana; pelo que, cada um de nós é ícone de Jesus. E os mais pequeninos, como refere a exortação apostólica, são-no de uma forma especial. De tal modo que essa será a prestação de contas que teremos de dar sobre o modo como vivemos: “Sempre que fizestes isto ao mais pequenino dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes”. (Cf. Mt.25,31-46).
As condições sociais e económicas condicionarão a intervenção pronta, ousada, profética, caritativa do Bispo, seja para mobilizar a Igreja que anima, fazendo-a sentir que a autenticidade da fé passa pelo testemunho da caridade, seja para pressionar aqueles que têm o encargo do bem comum, primeiros responsáveis por gerar mecanismos que promovam a justiça social, que esforçadamente se empenhem na inclusão.
A dignidade da pessoa humana será sempre a referência a ter em conta, para ponderar o teor da intervenção, a dimensão das acções a desencadear. Envolvida pela convicção cristã de que todos e cada um somos imagem e semelhança de Deus, cujas “fomes” se não saciam apenas com o bem-estar material.
E sempre atentos a que se não remeta para o Estado aquilo que cabe à sociedade civil. A verdadeira liberdade e democracia dão lugar à iniciativa dos cidadãos, associados em movimentos religiosos ou associações cívicas. Ao estado caberá dar suporte a essas iniciativas, suprir onde elas não surjam. À Igreja, como reserva do Humanismo total, caberá, para além da intervenção directa, gerar essa atmosfera que considere o Homem todo e todos os homens. E ao Bispo, directamente ou pelos serviços diocesanos e paroquiais, cabe ser próximo de todos.
Querubim Silva
