Encontros de Férias do Bispo de Aveiro Os tempos que correm são melhores ou piores para a fé? São melhores ou piores para os crentes e para a Igreja? As questões foram levantadas nos encontros de férias que o Bispo de Aveiro promoveu nas praias e termas da área da diocese. E uma possível resposta foi: “São diferentes. Exigem formação, pedem aos cristãos testemunho convicto, mas não são melhores nem piores. São diferentes”.
D. António Marcelino subordinou o encontro à pergunta “Deus e o sagrado ainda têm lugar no mundo de hoje?”; e começou por sugerir aos presentes no encontro uma “viagem no tempo”. “Como eram as nossas paróquias há cinquenta anos? Havia uma grande uniformidade. Toda a gente era baptizada, comungava, casava pela Igreja. Mas muito pouca gente estava empenhada”, resumiu D. António Marcelino ao Correio do Vouga. “Hoje, há mais gente fora da Igreja, mas também há mais gente empenhada nos serviços eclesiais do que há cinquenta anos”, continua o Bispo de Aveiro, para a seguir acrescentar um exemplo: “Quantos homens eram ministros extraordinários da comunhão? Quantos são hoje?”
Sugerindo o abandono daquilo a que podemos chamar visão miserabilista (“isto está cada vez pior”), o Bispo de Aveiro convidou a olhar positivamente para os valores da democracia e da modernidade que marcam a sociedade actual e sublinhou algumas conclusões para os crentes. “É necessário que deixemos o complexo de inferioridade. Somos convidados a acolher a novidade. Claro que, para isso, os cristãos têm de ter cada vez mais formação. Por outro lado, é-nos exigido um testemunho sem medo no mundo plural”.
Os encontros de Verão decorreram nas praias da Barra, Costa Nova, Torreira e S. Jacinto e nas termas da Curia. Na Barra e Costa Nova (encontros nos dias 16 e 17 de Agosto, respectivamente), devido à chuva, notou-se uma diminuição da afluência.
Segundo D. António Marcelino, que desde há 20 anos promove uma iniciativa similar durante as suas férias em Vilamoura (Algarve), onde “testa” o tema que depois reflecte na diocese, estes encontros são muito positivos, pois permitem um diálogo informal, “muito rico”, com as pessoas presentes. O Bispo de Aveiro nota que, “felizmente, os padres [das zonas balneares] não fazem férias nesta altura do ano”; no entanto, considera que, não só nas paróquias das praias e não apenas nesta época do ano, há necessidade de novos espaços onde as pessoas possam dialogar livremente sobre a sua fé. “As pessoas precisam de propostas novas. E de novos modos de as fazer”, conclui. Por aí passa, certamente, a resposta à provocação inicial: “Deus e o sagrado ainda têm lugar no mundo de hoje?”
J.P.F.
