Espírito de serviço e dedicação paternal

Revisitar o Vaticano II É assim que o decreto conciliar Christus Dominus titula um dos seus números, para caracterizar o exercício do ministério dos Bispos diocesanos.

Em Dezembro passado, reflectindo sobre a sucessão de D. António Marcelino, os Padres da Diocese, entre muitas outras coisas, reconheciam que o Bispo é humano. Portanto, não há bispos (ou candidatos a bispos) só com virtudes, como não os há só com defeitos. Chamado à responsabilidade primeira de ensinar, santificar e dirigir o rebanho que lhe é confiado, naturalmente que o seu empenho em crescer na santidade é uma exigência redobrada, também para estímulo dos seus diocesanos. Mas, disso temos consciência, não é normal que nos venha um bispo perfeito.

Vem isto a propósito de D. António ter completado os 75 anos e ter colocado o seu lugar à disposição do Santo Padre. Aconteça quando acontecer a substituição, julgo importante que os cristãos de Aveiro releiam o Vaticano II, para apreciarem o serviço de quem vai e de quem vem, em vez de tecerem visões reducionistas e relativistas.

“No exercício do seu ministério de pais e de pastores, os bispos devem ser entre os seus como quem serve, como bons pastores que conhecem as suas ovelhas e por elas são conhecidos, como verdadeiros pais que se distinguem pelo espírito de amor e solicitude por todos e a cuja autoridade, recebida de Deus, todos se submetem de bom grado. Reúnam à sua volta a família inteira da sua grei e formem-na de tal modo que todos, conscientes dos seus deveres, vivam e operem em comunhão de caridade” – CD 16

Este texto marca, claramente, atitudes fundamentais exigidas aos pastores: serviço, conhecimento pessoal e dedicação solícita por todos, espírito de congregação de todos, formação de todos em vista da comunhão e da caridade.

Mas reclama também, dos diocesanos, atitudes indispensáveis para que a Igreja Diocesana seja o que deve ser: conhecimento e reconhecimento do Bispo da Diocese, docilidade no acolhimento das suas orientações de pastor, leal colaboração; sobretudo, formação do carácter cristão em vista de uma vida de comunhão e caridade.

E, se é certo que ao bispo cabe redobrada responsabilidade de crescer na santidade, não é menos exigente para os leigos, para os presbíteros, para os diáconos, para os grupos, para os movimentos…, uma permanente atitude de conversão à caridade, para superar e integrar as diversidades, para acolher e estimular o Bispo da Diocese, para construir a comunhão eclesial. E convenhamos que temos muito caminho a percorrer!

Querubim Silva