À Luz da Palavra – II Domingo do Advento – Ano B A liturgia deste domingo lança-nos um enérgico apelo à conversão, à preparação do nosso coração para acolher Deus que vem, em Jesus. Afirma-nos que Deus está sempre pronto, e até desejoso, de nos oferecer um mundo novo de liberdade, de justiça e de paz. Porém, esse mundo só se tornará uma realidade quando cada pessoa aceitar reedificar o seu coração, abrindo-o aos valores de Deus.
A primeira leitura constitui uma mensagem de consolação e de esperança, veiculada através de palavras cheias da ternura do nosso Deus. O profeta assegura aos exilados de Israel que Iavé é fiel e que quer trazer de volta o seu Povo, em direcção à terra da liberdade e da paz. Ao Povo, por sua vez, é pedido que dispa os seus hábitos de comodismo, de egoísmo e de auto-suficiência e aceite, outra vez, confrontar-se com os desafios de Deus. Também nós nos sentimos apavorados diante da violência e do terrorismo, que parecem imperar, marcando a sangue a vida de tantos dos nossos irmãos e irmãs, das doenças que a medicina não sabe curar, do desprezo a que são votados os mais pequenos e fracos, enfim, de uma sociedade que teima em se construir à margem de Deus e contra Ele. Porém, a mensagem do profeta garante-nos que Deus não está alheado da nossa história, mas continua a vir ao nosso encontro e a oferecer-se para nos conduzir com amor e solicitude até à verdadeira vida e liberdade.
No Evangelho, João Baptista convida os seus contemporâneos, e também a nós, a acolher o Messias libertador, cuja missão consiste em oferecer a todas as pessoas o Espírito de Deus, que gera vida nova e nos permite viver numa dinâmica de amor e de liberdade. No entanto, só poderá estar aberto à proposta do Messias quem tiver percorrido um autêntico caminho de conversão, uma transformação completa, por um estilo vital inteiramente novo, colocando Deus no centro da sua existência e dos seus interesses. O “estilo de vida” de João constitui uma interpelação tão forte como as suas palavras. É o testemunho vivo de um homem que está consciente das prioridades e não dá importância aos aspectos secundários da vida. A nossa vida também está marcada por valores, nos quais apostamos, e à volta dos quais construímos a nossa existência. Quais são os valores fundamentais que marcam as minhas decisões e opções? Como me situo frente a valores e a um estilo de vida que contradiz, claramente, os valores do Evangelho?
A segunda leitura aponta para a segunda vinda de Jesus. Convida-nos à vigilância, isto é, a vivermos de acordo com os ensinamentos de Jesus, empenhando-nos na transformação do mundo e na construção do Reino. A certeza da ressurreição garante-nos que Deus tem um projecto de salvação e de vida para cada pessoa e que esse projecto está a realizar-se, continuamente, em nós, até à sua concretização plena, quando nos encontrarmos definitivamente com Deus. Os crentes são, pois, homens e mulheres de esperança, abertos ao futuro, já nesta terra, com fé e amor, mas sobretudo a um futuro a esperar, como dom de Deus, «os novos céus e a nova terra» onde habitam a justiça e a paz.
Leituras do II Domingo do Advento – Ano B:
Is 40,1-5.9-11; Sl 85 (84); 2 Pd 3,8-14; Mc 1,1-8
Deolinda Serralheiro
