Diplomas para estudantes, críticas para o ministério do ensino superior

Na Entrega de Diplomas da UA sublinhou-se a redução de financiamento Três semanas após a Bênção dos Finalistas, a Universidade voltou a encher-se de estudantes e familiares, desta vez para a entrega dos diplomas aos graduados de 2003/2004. Foram entregues, no sábado passado, Dia da Universidade, 1360 diplomas: 12 de agregação, 53 de doutoramento, 149 de mestrado e 1146 de licenciatura, bacharelato e complemento de formação. E ainda 22 Bolsas de Mérito a estudantes que se destacaram pelo aproveitamento escolar excepcional.

Numa cerimónia que decorreu numa tenda gigante montada no campus para o efeito e que foi pequena para tantos estudantes e familiares, a reitora da UA, Helena Nazaré, louvou os novos diplomados e fez duas críticas ao ministério da Ciência e Ensino Superior. A primeira, devido à ausência de representantes do ministério: “Infelizmente, o Ministério da tutela continua, como aliás já vinha sendo hábito, a descurar a obrigação que tem de, com a sua presença nestas ocasiões, encorajar as instituições para que se faça mais e melhor. É pena!” A segunda, devido à diminuição de financiamento estatal, quando se verifica na universidade um aumento em 5% do número de diplomados e “melhoria significativa nas taxas de sucesso”. Disse a Reitora: “Paradoxalmente, estas medidas tiveram um impacto negativo ao nível do financiamento da Universidade. A despeito das reiteradas afirmações de incentivos à qualidade, o Ministério da Ciência e Ensino Superior só foi capaz de premiar a quantidade. Assim viu a Universidade diminuir o orçamento transferido em cerca de 4,5%”.

Helena Nazaré deu ainda destaque às mudanças que vêm sendo operadas na universidade. “Temos vindo a enfrentar o grande desafio de transformar um sistema de ensino superior concebido noutra época e assente em pressupostos diferentes num instrumento para a coesão social, num motor do desenvolvimento para uma sociedade de conhecimento cada vez mais global”, disse. Essa mudança, que tem um ponto fundamental no Processo de Bolonha (criação de um espaço europeu de Ensino Superior) passa por novas práticas pedagógicas, “competências transversais” em adição ao conhecimento especializado, ligação em rede com outras instituições de ensino, formação ao longo da vida, cooperação com a sociedade (“terceira missão da Universidade”) e excelência na investigação.

Rosa Nogueira, presidente da Associação Académica da UA (AAUAv), que recentemente criticara a UA pela aplicação da propina máxima, na sua intervenção corroborou as críticas da Reitora ao governo: “Os esforços e a qualidade, ao invés de serem premiados pelos órgãos do governo, têm-se traduzido na penalização e na redução do financiamento. Uma enigmática e perigosa opção para quem deveria promover a formação de quadros superiores”. A presidente da AAUAv referiu ainda que a diminuição de financiamento não é o único entrave no percurso dos universitários: “Para além de se intentar o afastamento dos estudantes nos órgãos de gestão, anula-se a cultivação de um espírito crítico e construtivo, proclamando-se a representatividade, mas não a participação”.

J.P.F.