Disponíveis para servir

“Valeu a pena. Foi demorado, mas nem se deu por ela. Enche o coração ver homens que são felizes por estarem ao serviço dos outros” – diziam alguns participantes no fim da Eucaristia em que um grupo de diáconos celebrou mais um aniversário da ordenação.

A demora fica a dever-se à animação que o grupo coral deu à celebração e, sobretudo, ao testemunho de cada diácono. O ambiente era familiar e prestava-se a uma partilha pessoal, tendo por base o testemunho de vida e a parábola do semeador.

Jesus, ao contar esta parábola, faz a radiografia do que está a acontecer – começou por dizer o celebrante. Sai de casa, dirige-se à beira-mar, espera que se junte a multidão, pede a barca e faz-se ao mar, começando a falar/semear. As disposições das pessoas são retratadas de forma hábil e inteligente: nos sítios em que cai a semente.

E é tão diferente a condição em que esses sítios se encontram. Hoje, também assim é. A mensagem dirige-se a nós. Vamos concentrar-nos apenas na terra boa, nas pessoas atentas ao que Deus quer e prontas a dar-Lhe resposta generosa.

Todos nós fazemos parte do número destas pessoas. Mas, hoje, há um grupo que está connosco – o dos diáconos – e vai dar-nos o seu testemunho, dizendo qual a missão que o nosso Bispo lhe confiou e como se sente nesse serviço – conclui o presidente.

“Eu sou de cá, como sabeis. A semente foi lançada no meu coração de muitas formas, mas há duas mais importantes: a educação em família e o casamento. Depois, veio a preparação para o diaconado e, agora, o serviço que faço é o de ajudar os jovens na fase do namoro ou da procura da vocação que melhor os pode realizar. É um trabalho exigente, que nos dá muito alegria, a nós e aos casais que andam connosco.”

“A semente desabrochou no meu diaconado – afirma o segundo – no serviço paroquial. Colaboro com o prior, sempre que necessário. Também ajudo o pároco vizinho, que não pode atender às necessidades dos lugares das suas paróquias. Além da sobrecarga, falta-lhes a saúde, de vez em quando. Vivo assim a minha missão.”

“Desde criança, senti que a minha felicidade passava pela ajuda aos outros – adianta um terceiro. E hoje posso confirmá-lo. Fiz-me escuteiro, casei e organizámos a nossa família, aceitei ser diácono e, agora, promovo o voluntariado nos lares dos idosos da nossa diocese. “Vida mais” é o nosso lema.”

“A semente em mim vai germinando, mas com muito esforço – esclarece o quarto. Andei anos a ter de estudar antes de sair para o trabalho. Era agente de vendas. Deu-me uma grande ajuda o testemunho de outros diáconos. Senti o desejo, falei com o meu pároco, fiz a preparação e, felizmente, fui ordenado com estes colegas, há meia dúzia de anos. Colaboro em serviços e grupos da paróquia, sobretudo na catequese de adultos.”

“Quando surgiu a possibilidade de ser diácono, vi realizado um sonho que tinha desde a minha juventude – confidencia o mais velho. Quis ser padre, mas fui impedido pelas exigências da vida. O desejo de servir o Senhor parece que crescia, depois da reforma. Chegou a hora que Deus tinha preparado. Dou a minha colaboração em serviços do meu arciprestado, sobretudo no atendimento paroquial e na preparação dos noivos.”

“Eu trabalhava numa fábrica, quando fui interpelado pelo meu falecido prior. Estávamos numa reunião de casais, quando ele nos faz o desafio. Ficámos de amadurecer a decisão. Passadas semanas, fui mostrar-lhe a minha disposição. Tive grande apoio da família. Preparei-me durante quatro anos. Agora, esforço-me por desenvolver a semente que me coube nos serviços da paróquia: apoio a equipas, acompanhamento das pessoas em luto, celebrações da Palavra; enfim, onde for preciso estou disponível para servir.”

A assembleia, na qual se destacavam as esposas dos festejados, estava visivelmente atenta e participante. Lia-se nos olhos a admiração agradecida. Por isso no fim do último testemunho, irrompeu numa salva de palmas. Revia-se na disponibilidade alegre dos seus diáconos.