Unidos pela Europa

“Unidos pela Europa” é o título de um texto publicado nos grandes órgãos de informação europeus e assinado por oito presidentes da República: Jorge Sampaio (Portugal), Horst Kohler (Alemanha), Heinz Fischer (Áustria), Tarja Halonen (Finlândia), Carlo Azeglio Ciampi (Itália), Vaira Vike-Freiberga (Letónia) e Aleksander Kwasniewski (Polónia). Entre nós foi publicado no jornal Público de 15 de Julho de 2005. Vela e a pena fazer um eco desse texto.

Os presidentes sugerem que os europeus aproveitem o tempo de férias para pensar no projecto europeu, que tem “imagem negativa”, após os referendos de França e Holanda, mas “é positivo”: “Por estes dias terão já começado as férias de Verão em muitos países, Muitos de nós desfrutaremos as belezas da nossa Europa, sem controlos fronteiriços e, em muitos casos, sem sequer ter de trocar de divisas. Não será esta porventura uma ocasião prática para avaliarmos como todos podemos beneficiar com a União Europeia?”

Reconhecendo que existe um descontentamento dos europeus, o texto aponta duas situações que o resumem: pouca participação dos cidadãos nas decisões que a todos dizem respeito (com uma excessiva responsabilização de Bruxelas pelas dificuldades de cada país) e “altos níveis de desemprego” a par com “fraco crescimento económico”, que levam a que “muitos cidadãos estejam preocupados com o seu futuro”. E a seguir lembra aspectos da “bondade do projecto europeu”: a paz (“Jean-Claude Juncker, primeiro-ministro luxemburguês, sugeria àqueles que têm dúvidas e não acreditam na Europa uma visita aos cemitérios militares”, refere o tex-to); crescente prosperidade económica durante largos anos e extensível a todo o espaço europeu; enorme mercado interno que permite oferecer melhores produtos e serviços aos consumidores; a adopção do euro…

Particular destaque é dado à unidade política na Europa: “Acima de tudo, a União Europeia deve falar a uma só voz na cena internacional. Só assim poderá fazer valer o seu peso económico e político. Só assim poderá contribuir pata resolver com sucesso os problemas globais. É aliás isto que os nossos parceiros mundiais esperma de nós”.

A certa altura, os presidentes europeus ponderam sobre a forma de dar rumo ao “navio europeu” e apontam seis aspectos que citamos integralmente:

“Precisamos: de uma União Europeia mais democrática, mais transparente e mais eficiente, não só no nosso próprio interesse, mas também para afirmarmos o nosso lugar na globalização; de mecanismos que promovam a participação dos cidadãos no projecto europeu, associando-os à sua concretização e aos seus progressos; por conseguinte, devemos reflectir sobre a forma de possibilitar aos cidadãos europeus exprimirem-se em conjunto sobre as questões europeias; de uma cooperação mais estreita em matéria de segurança e do combate ao terrorismo, como os recentes ataques terroristas vieram demonstrar uma vez mais; de uma maior disponibilidade para fazer concessões e de nos mostrarmos mais solidários. Aqui reside a pedra angular do projecto europeu, que, também ela, interessa a cada um dos Estados-membros”; de uma Europa preparada para o futuro, através do investimento no que faz a força da Europa: inovação, comunicação, educação e investigação. Há que examinar as nossas contribuições para Bruxelas e a forma como são gastas. É necessário – e consegui-lo-emos – obter um acordo atempado nesta matéria.

Aproveitemos o período de reflexão e não percamos a coragem, dando ao invés provas de tenacidade e de engenho”.