Morreu a mãe do Bispo de Aveiro, após prolongada doença. D. António Francisco entregou nos braços de Jesus “o bem mais precioso”
D.ª Donzelina dos Santos, mãe de D. António Francisco dos Santos, Bispo de Aveiro, após prolongada doença, faleceu no dia 5 de Agosto, na Casa de Retiros de S. José, em Lamego, onde residiu nos últimos anos.
O funeral de D.ª Donzelina realizou-se na tarde de 7 de Agosto, na sua terra natal, Tendais, concelho de Cinfães. Na manhã desse dia, na Catedral de Lamego, foi celebrada a Missa Solene Exequial, presidida por D. Jacinto Botelho, Bispo de Lamego, e concelebrada por dez bispos, cerca de 200 padres, maioritariamente de Lamego e Aveiro, duas dezenas de diáconos e numerosos religiosos e leigos.
Na homilia, o Bispo de Lamego destacou o “testemunho verdadeiramente exemplar” de “uma mulher com maiúscula” que viveu fortalecida “por uma profunda piedade eucarística e mariana”, e que se distinguiu pela devoção aos Sagrados Corações de Jesus e de Maria.
Afirmou D. Jacinto Botelho: D.ª Donzelina dos Santos “foi vários anos a presidente do Apostolado da Oração da sua paróquia. Viveu sempre uma vida sacrificada. O marido, como acontecia com tantos outros, foi trabalhar para o Brasil, deixando, carregados de saudades na terra a esposa e os dois filhos pequeninos, um de três anos e outro com um ano apenas e que faleceu ainda criança. Não voltou a Portugal, porque 13 anos mais tarde quando tinha decidido o regresso, morreu inesperadamente com 41 anos de idade. Sozinha e viúva muito jovem, com um filho na adolescência, soube assumir confiante e serena a gestão da casa, sempre prestável para com todos, com a boa disposição que lhe era peculiar; e com esmero e solicitude educou o filho a quem o Senhor chamaria para o sacerdócio. Mãe sacerdotal consciente e responsável, foi para ela motivo de extraordinária alegria e felicidade a ordenação como presbítero e bem podemos dizer o variado ministério pastoral que o filho viveu, comungando sempre com ele a responsabilidade a que se sentia chamada também pelo Senhor. Um grave acidente vascular, há 19 anos, deixou-a sem poder falar e limitada nos movimentos. Mas sempre muito lúcida comunicava com todos com o pronunciar do seu nome e um sorriso de criança encantador. A fragilidade física que experimentava como que aguçou a sua capacidade de estar mais perto de todos e de partilhar espontaneamente uma extraordinária simpatia. Um novo problema vascular levou-a quase à morte agravando muitíssimo a sua saúde. Foram seis anos vividos nesta situação. Intuía o filho que havia entre ambos uma singularíssima comunicação que a ambos inundava de paz. Deste modo viveu a nomeação do filho para Bispo, a sua ordenação episcopal e o seu trabalho pastoral em Braga e agora em Aveiro. Os últimos quatro meses foram muito difíceis, extremamente delicados, em que quase só o milagre explica tão grande resistência. Ao longo desta longa provação viveu rodeada do carinho primeiro do filho e de todos os amigos que a consideravam como sua. É de salientar nos últimos tempos a solicitude da Casa de S. José, tanto do Director, como das Irmãs religiosas que abnegadamente a servem e muito em especial das senhoras que ininterruptamente, dia e noite, com um amor e zelo inexcedíveis cuidaram para que nada lhe faltasse”.
“A doença da mãe foi a grande e pesada Cruz que de há 19 anos tem acompanhado a vida do filho, intensificada com o sucessivo agravamento das situações, mas sempre levantada com edificante tranquilidade e alegria. Não há dúvida de que esta Cruz, em comunhão com a do Senhor, foi para o D. António torrente de Graça e de fecundidade dum apostolado com tantos êxitos e eficiência”, notou o Bispo de Lamego.
No final da Missa, D. António Francisco expressou o “profundo agradecimento” por “todos os gestos de solidariedade recebidos”, não só ao longo da prolongada doença da sua mãe mas também neste momento “de delicado sofrimento”, nomeadamente ao clero e cristãos de Lamego, Braga e Aveiro. Teve ainda uma palavra de apreço para com a Casa de S. José e para com as pessoas que mais directamente assumiram os cuidados de saúde com a sua mãe.
Referindo-se à sua mãe, disse: “«Tu, segue-me!» Estas palavras, que Jesus dirige a Pedro, exprimem o mistério da passagem deste mundo para a Casa do Pai. Foram as palavras que a minha querida Mãe ouviu ao longo de toda a sua vida.
Na Cruz, Jesus, ofereceste a tua Santíssima Mãe a cada homem, de cada tempo. Hoje sou eu que entrego nos Teus braços o bem mais precioso que me concedeste nesta terra. A Ti agradeço o dom da vida da minha mãe. Agradeço o seu exemplo, a sua dedicação, o seu espírito de sacrifício, que sempre acompanharam o meu ministério”.
J.P.F. e Diocese de Lamego (www.diocese-lamego.pt)
