1 – A verdade é como o azeite – diz a nossa gente; acaba por vir sempre à tona da água, isto é, acaba sempre por se tornar patente.
A pouco e pouco fomos percebendo que havia tendências de alguns governantes de países europeus se erguerem nas tamancas, mesmo quando são de menor estatura. E, senhores do seu dinheiro e do seu nariz, olharem de soslaio os mais pequenos, manifestarem a sua supremacia de doadores, darem ares de compaixão pelos retardados no desenvolvimento… E todas essas atitudes que contradizem em absoluto o sonho dos fundadores da Europa: uma casa comum, de muitas diversidades, de exemplo de comunhão e unidade, enriquecidos todos pelas diferenças de cada um.
O certo é que, cortadas as raízes profundas a esse emblemático projecto de Europa das nações, começamos a ver de tudo: tábua rasa de identidades, dirigismo ideológico, social e político e – pasme-se! – autoritarismo, a ponto de se dar ao luxo de criticar as instituições democráticas de um país livre e soberano(?).
Seria uma voz louca a clamar no deserto, não fora algum (ir) responsável governante do país em questão fazer-se eco e colocar-se sob a protecção dessa crítica inadmissível.
É assim que vai esta Europa e o nosso (des) governo!
2 – Escritor de língua portuguesa de reconhecido mérito fez um lúcido e muito oportuno comentário sobre esta geração que se sobressalta e manifesta indignação pelo facto de não divisar um futuro consistente e de esperança.
Afirma, e bem, que esta “geração à rasca” é fruto dos seus maiores, os quais, libertos de uma vida de dominação, confundiram liberdade com falta de disciplina, com ocultação das dificuldades da vida, com ilusão de consumo, divertimento e facilidade… Afinal, o que a governação fez ao país, fizeram-na muitos pais a seus filhos: um teor de vida de fartura, mesmo com escassez de meios; uma fantasia de sucesso, sem trabalho; um ar de modernidade sem disciplina nem exercício de vontade.
O cidadão minimamente lúcido pergunta-se como foi possível – como é possível – assumir responsabilidades familiares omitindo por completo o empenho em fazer os mais novos participar do realismo da vida, da necessidade do trabalho, da imperiosa urgência de se respeitarem as funções-missões diferentes, de pai, de mãe, de avó, de avô, de professor, de padeiro, de varredor de rua, de engenheiro, de ministro de uma religião… Todos iguais em dignidade, mas cuja diversidade e função-missão tem de ser respeitada.
Culpa tem quem relativizou e privatizou todos os valores, a começar pela verdade! Culpa tem quem promoveu uma civilização de sensações efémeras em vez de uma civilização de redes consistentes de relações, entretecidas de deveres e direitos!
