É fácil levar a vida à Missa?

Catequeses Quaresmais Apanhar Sol. É fácil levar a vida à Missa? A pergunta surgiu na segunda parte da primeira catequese quaresmal deste ano do Bispo de Aveiro. E por algumas respostas que as pessoas foram titubeando, a sensibilidade dominante parecia ser: “Mas não temos que deixar fora os problemas, as preocupações, os anseios, para podermos participar em paz na Missa?”

A resposta de D. António: “Se não levo a minha vida, ela não é iluminada. A vida dos cristãos fica às manchas quando assim é. É como apanhar sol apenas no rosto”. E o resto do corpo?

Cábula na Missa. Afinal, a própria Eucaristia, com momentos de perdão e gratidão, arrependimento e acção de graças, reflexão e louvor, é um convite à vida toda, o que levou D. António a deixar uma sugestão curiosa: “Quando vou ao hipermercado não levo uma lista do que preciso? Não ficaria mal levar uma cábula das minhas coisas [sonhos, medos, pedidos, louvores, enfim, a vida] para a missa…”

Trabalho de casa. “A Eucaristia prepara-se em casa, revendo a vida da semana e tomando consciência do momento concreto em que cada um se encontra ao ir celebrar a Eucaristia. Tomar a vida pela mão, captar o louvor que ela comporta por batalhas vencidas, dificuldades ultrapassadas, perplexidades e cansaços, falhas e pecados. Tudo isto é para ir à missa connosco. Tudo se vai processar em vida assumida pelo Senhor para a salvar, lhe dar sentido e luz, força e valor”, lê-se na folha distribuída aos participantes no encontro. Noutra passagem afirmava-se: “A Eucaristia só atinge a vida, quando a vida está na Eucaristia. A Eucaristia faz a Igreja e a Igreja faz da vida uma Eucaristia viva.”

Emaús e Moita. A Eucaristia que Jesus celebrou com alguns discípulos em Emaús deve ter sido a segunda da história. (A primeira foi a Última Ceia de Jesus.) Para chegar à celebração, Jesus caminhou com os discípulos. “Entrou no seu caminho, perguntou, escutou, explicou… Levou-os a tomar consciência da sua realidade existencial e a verbalizá-la”, disse D. António. No final do episódio de Emaús, os discípulos reconheceram o Mestre e “não mais falaram de cansaço nem de noite avançada. No regresso comunicaram a sua alegria e receberam o testemunho de alegria dos outros: ‘Realmente o Senhor ressuscitou’”. No final da primeira catequese deste ano, uma senhora da Moita (Anadia, extremo da diocese) elevou a voz para agradecer espontaneamente ao Bispo de Aveiro a iluminação que sentiu no encontro, como aliás era visível noutras pessoas. A Palavra que iluminou Emaús voltou a brilhar.

As catequeses quaresmais acontecem à sexta-feira, às 21h15, no Salão de S. Domingos (ao lado da Sé, por cima da livraria Santa Joana). A entrada é livre. Na próxima sexta o tema é “Convocados como filhos de Deus. Para quê? Um encontro que exige purificação”.