Mudar de vida

Vivências quaresmais A Quaresma/Páscoa é o tempo mais forte da vivência cristã. Existe para nós. Existe porque dele precisamos, homens e mulheres em processo, homens e mulheres em conversão. “Mudar de vida” pode ser um dos motes deste tempo que começou com o apelo “Converte-te e acredita no Evangelho”. “Mudar de vida” não é mudar de roupa, aparência ou profissão. É mudar para aquilo que somos, filhos de Deus, irmãos em Cristo. Esse é o apelo mais forte, com consequências familiares, sociais, litúrgicas, como acentuam as diversas propostas quaresmais. Muito mais se faz pelas paróquias, dioceses e mundo. O Correio do Vouga mostra algumas dessas propostas, por Jorge Pires Ferreira.

Catequese infantil e grupos de jovens

Construída à volta do lema diocesano “A Eucaristia gera fraternidade”, as crianças e jovens da diocese (e, por extensão, os seus familiares), vivem a Quaresma aprofundando a Eucaristia (em cada semana valoriza-se uma parte da Missa: Ritos iniciais, Liturgia da Palavra, Ritos da Comunhão…). A segunda parte da campanha, o Tempo Pascal (as sete semanas depois da Páscoa),é dedicada aos sete dons do Espírito Santo (Sabedoria, Entendimento, Ciência, Conselho, Fortaleza, Piedade e Temor de Deus).

Durante a Quaresma, em cada uma das semanas há um ícone próprio, que constitui a expressão plástica da comunidade, podendo ser integrado num painel (quase como um puzzle) a construir no interior das igrejas.

Mas há algumas particularidades quanto às idades. As crianças são convidadas ajudar os cristãos da Terra Santa com imagens do Sepulcro de Jesus. Os contributos que as pessoas quiserem dar em troca dessas imagens são depois enviados pelo Secretariado da Catequese, à semelhança do que já aconteceu no Natal. Na altura, a venda de imagens e terços permitiu a manutenção de 130 postos de trabalho durante três meses, conforme referiu ao Correio do Vouga Assunção Costa, responsável pelo Secretariado da Catequese.

Os jovens dispõem de um pequeno Diário de Bordo, onde podem escrever alguns pensamentos sobre o que estão a viver. O Diário de Bordo dá mais algumas informações sobre a Quaresma e subsídios como BD’s, poemas ou a letra de uma música dos Silence 4.

No CUFC o Domingo É à Quarta-Feira

No Centro Universitário, as vivências quaresmais comunitárias centram-se na quarta-feira, que, no dizer do Pe Alexandre Cruz, responsável pelo Centro, “é o domingo académico”. O CUFC propõe todas as quartas um momento celebrativo e outro cultural. Fazer pontes entre a fé e a cultura é, afinal, o objectivo do CUFC.

As celebrações das quartas (às 18h30) são animadas pelos vários grupos cristãos (MCE, Lares, escuteiros, grupos de acção social, etc.) que frequentam o CUFC. O símbolo central desta vivência é a Mesa. A mesa onde se come (casa, cantina…), se estuda (casa, biblioteca, universidade…), se celebra (CUFC, igreja…). Por isso, a mesa vai sendo posta no hall e na capela do CUFC, ao longo das semanas, primeiro a mesa, depois a toalha, o pão, o vinho, a Palavra. O objectivo é chegar à “Mesa do Essencial”, a celebração de Páscoa, que no CUFC é celebrada dia 16 de Março, uma quarta-feira, pois claro, este ano com a presença do Bispo de Aveiro.

O momento cultural de hoje (23 de Fev, às 21h) é a conversa com Bal Krishna (da União Budista Portuguesa), sobre Budismo. O Centro Universitário tem dedicado algumas iniciativas ao diálogo inter-religioso.

Semana da Família

na Glória

Na paróquia da Glória, Aveiro, até 27 de Fevereiro vive-se a Semana da Família. Num folheto distribuído aos paroquianos, são sugeridos uma frase por dia sobre a Eucaristia, a partir do Carta do Papa, e um gesto simples para viver no lar. Um exemplo:

Quinta-feira, 24 de Fev.: “A Eucaristia é Banquete. Não há dúvida que a dimensão mais saliente da Eucaristia é a de banquete. A Eucaristia nasceu, na noite de Quinta-feira Santa, no contexto da ceia pascal. Traz por conseguinte inscrito na sua estrutura o sentido da comensalidade (João Paulo II)” O gesto para este dia: “Refeição comum de todos os membros da família, à mesma mesa e mesma hora”.

Todas as famílias sabem como por vezes este gesto é tão difícil (tal como o do dia seguinte: “Procurar promover a reconciliação entre pessoas desavindas”). Quaresma pode ser sinónimo de renovação familiar.

Brasil em solidariedade e Paz

“A imagem da menina foi escolhida porque parece não haver nada mais puro e sincero que o sorriso de uma criança. Seus sonhos e desejos são transmitidos num olhar de carinho, que clama por cuidado, protecção e amor. Seus longos braços abertos abraçam uma importante causa, tornando-a receptiva a qualquer pessoa que queira construir algo diferente da violência geral em que vivemos hoje em dia. O desenho estilizado, em vez de fotografia realista, faz da criança a imagem de todas as crianças ou de todas as pessoas, sem identificação específica de classe ou etnia”. Assim descreve Elaine Carvalho o cartaz da Campanha da Fraternidade 2002

Todos os anos a Campanha da Fraternidade é verdadeiramente um acontecimento eclesial e o civil no Brasil, ao ponto do Papa dirigir uma mensagem especial a propósito da campanha. A de 2005 tem como tema “Felizes os que promovem a paz” e tem em vista a eliminação de todos os tipos de violência. “São três os principais aspectos envolvidos na CF de 2005: a violência, a solidariedade e a paz. No Brasil e no mundo inteiro há muitos tipos de violência. Só em 2002, no Brasil, houve cerca de 40 mil mortes por arma de fogo! Há violência na família, nas relações sociais, nas acções de indivíduos ou grupos do crime organizado; e há muita violência nas relações internacionais, nas guerras e no terrorismo. O resultado disso tudo é a insegurança crescente, a construção de barreiras e muros, o ódio, a busca de vingança, tanto sofrimento e a perda da paz”, diz D. Odílio Scherer, bispo auxiliar de S. Paulo.

A Campanha é ecuménica, ou seja, é promovida e vivida por várias confissões cristãs, e concretiza-se em todas as dimensões da vida cristã. Todos os anos é elaborado uma “espécie de manual” de centenas de páginas e que abarca uma grande variedade de espaços, tempos e atitudes.

Para saber mais, pode consultar o site dos bispos brasileiros: www.cnbb.org.br

Espanha passa 40 dias com os mais pobres do mundo

Trazer para a oração de cada dia da Quaresma um país dos 40 mais pobres do mundo é o objectivo de uma iniciativa com origem em Espanha. A justificação é retirada do Missal: “Quaresma, quarenta dias a caminho da Crus e da glória da Páscoa (…). Tempo oportuno para reflectir e corrigir. Tempo para rever a situação concreta em que vive a sociedade e tomar uma posição diante das estruturas de injustiça, opressão e pecado que rodeiam o ser humano”. Assim, esta iniciativa propõe que, seguindo a lista da ONU sobre o desenvolvimento dos países, se comece no primeiro dia a Quaresma a rezar pelos menos desenvolvido. Ao chegar à Páscoa, teremos rezado pelos quarenta países mais pobres. Mas trata-se apenas de rezar? Não. Diz o guião: “Interrogamo-nos porque são pobres, como são os mecanismos de desenvolvimento e subdesenvolvimento, e interrogamo-nos também sobre o que podemos fazer perante estas desigualdades”. O guião desta campanha quaresmal é constituído por qua-renta fichas com dados estatísticos e casos pessoais, a fim de conhecermos os tais países. A Guiné Bissau é um deles, apresentado com um poema de Julião Soares.

CANTOS DO MEU PAÍS

Canto as mãos que foram escravas

nas galés

corpos acorrentados a chicote

nas américas

Canto cantos tristes

do meu País

cansado de esperar

a chuva que tarde a chegar

Canto a Pátria moribunda

que abandonou a luta

calou seus gritos

mas não domou suas esperanças

Canto as horas amargas

de silêncio profundo

cantos que vêm da raiz

de outro mundo

estes grilhões que ainda detêm

a marcha do meu País

O guião da campanha e outros documentos e informações estão disponíveis em http://www.marianistas.org/justiciaypaz/cuaresma