…E para si, quem é Jesus Cristo*

Depoimentos recolhidos no colóquio “Quem foi (é) Jesus Cristo?”, que se realizou nos dias 8 e 9 de Outubro, no Seminário de Valadares (V. N. Gaia). Xavier Pikaza

Padre. Teólogo espanhol

Sou cristão. Para mim, Jesus Cristo é aquele que me revela melhor quem é Deus, o que Deus quer dos homens. Ele é o caminho no qual nós, de alguma forma seguindo o que pensou e fez, podemos descobrir um Reino de Deus, uma humanidade diferente, libertada. Nesse sentido, é fundador de um caminho que desembocou no cristianismo.

Vejo Jesus dentro de uma comunidade de crentes, que é a Igreja. Mas em liberdade, em diálogo, e não fechada numa redoma. Creio em Jesus. Acredito em Jesus como aquele que nos tornou possível um caminho de descobrimento humano.

Juan ANTONIO Estrada

Filósofo e teólogo espanhol

Para um cristão, como eu, evidentemente, a pessoa de Jesus é a referência fundamental pela qual eu tenho de pautar a minha vida. É o mestre que me ensina a como enfrentar os acontecimentos e as dificuldades que vou encontrando na minha própria experiência.

Paulo Rangel

Eurodeputado

É a minha referência diária. Para tudo. É um interlocutor, uma referência, um amigo. Mas é também uma paixão, num certo sentido, embora eu não o consiga seguir nem de perto nem de longe. É uma figura que me apaixona. Há uma passagem do evangelho que me toca especialmente. É o momento que visita Marta e Maria, irmãs de Lázaro. Marta queixa-se: “Por que é que Maria não me ajuda?” E ele responde: “Maria escolheu a melhor parte e tu andas ocupada com todos esses afazeres”. Eu identifico-me com Marta. Ando muito distraído com muito que fazer.

Antonio Piñero

Historiador espanhol, especialista nas origens do cristianismo

Não posso falar de Jesus do ponto de vista da fé, porque, pelo meu ofício, sou simplesmente um historiador. Procuro, sim, mas sou muito agnóstico. Não sou crente. Mas posso dizer que encontro algo interessantíssimo nessa personagem, quando tenho 41 anos de universidade a estudar Jesus. É uma das grandes personagens da história e, sendo das maiores, tem múltiplas facetas, algumas delas difíceis de compaginar entre si, contraditórias, como acontece com todos. Não dei o passo da fé, mas tenho muito respeito e às vezes penso que gostaria de ter a fé que outros têm porque é muito mais tranquilizador.