E porquê tudo isto assim?

Olhos na Rua Sempre, em Fátima, me tocaram muito, cá por dentro, as formas de penitência de muitos peregrinos. Devo, porém, confessar que tenho mudado o pensar. No início, muito crítico. Agora, muito aberto e compreensivo. Tudo isto, porque tenho meditado ao ver lágrimas nos olhos, rostos de dor, de gratidão e de esperança, coragem para enfrentar incompreensões. E dou por mim a tentar penetrar no mundo interior das pessoas, na história daquelas promessas dolorosas, na fidelidade ao prometido. Dirão que Deus não quer isso. Deus lê no fundo dos corações e vê aí a sinceridade e a verdade das atitudes, com outros olhos que não os nossos olhos críticos. Também eu me empenhei em mostrar que não era preciso ser assim… Agora, costumo ficar a olhar e a rezar com esta gente penitente. E, mais do que julgá-la, agradecer a sua corajosa coerência. A culpa, se alguma há, será nossa, da Igreja, porque, em vez de dizer o que não se deve fazer, deve antes ensinar, com tempo e paciência, a optar de outra maneira. Perante o facto, acolher e respeitar será sempre o caminho mais acertado.