E que dizem agora os senhores que fizeram as leis?

Uma pedrada por semana Quem faz leis e não é capaz de perceber as consequências das mesmas não pode ser legislador ou não é legislador consciente e responsável. Isto vale para todos os que impõem a força da maioria, pensando que esta tem sempre razão.

Pai e mãe, cada por seu lado, protagonistas destes divórcios – chega e já está – deparam-se agora com problemas que julgavam de solução fácil, mas que afinal o não são.

A miúda, de quatro anos, apegada de igual modo ao pai e à mãe, não admite que os dois se tenham separado para sempre. E grita e exige que quer o pai em casa e no quarto com a mãe, para onde ela se esgueirava muitas vezes ao acordar, e lhe sabia bem estar ali quietinha e quentinha no meio dos dois. Não aceita razões. Quer os dois e pronto. Dizem pacientemente, beijam, dão presentes, fazem promessas e acabam por se retirar, tanto um como o outro, com uma lágrima nos olhos. Ela não cede.. Quer os dois. Mesmo que um dia se venha a dar por vencida, a ferida fica para sempre. Os pais sabem-no.

Há um ano por esta altura, mais ou menos, ouvi na rádio pessoa conhecida do mundo da comunicação, dar a notícia aos colegas de programa, que se havia divorciado há quinze dias e que tudo estava a correr bem. Os filhos ainda não sabiam… A preocupação que agora o afligia era como seria o Natal, daí a uma semana e qual a reacção deles…

Quando se deixa de pensar e de medir os actos e as suas repercussões, as emoções disparam e passam a reinar. Então, as pessoas são menos pessoas.

Neste Natal verter-se-á muito sangue inocente, banharão rostos inocentes muitas lágrimas frias e inconsoláveis… É sempre assim, quando a lei do amor deixa de ser razão para ir mais além, e tudo se passa a reger por actos que o não respeitam, nem o reconhecem como a maior e mais indispensável força que comanda a vida.

Quem faz leis homicidas da família e do amor que une os seus membros não pensará nisto?

António Marcelino