D. António Francisco nas Catequeses Quaresmais O Bispo de Aveiro orientou a primeira catequese quaresmal, sobre a mensagem de Bento XVI, “Hão-de olhar para Aquele que trespassaram”. “Só a paixão de Deus é que converte e convence”, afirmou. Contra a “crise dos que vivem sem Deus, precisamos de gente que viva com paixão o amor de Deus”.
“A Cruz é escola de discípulos, mesmo que todos sintamos repulsa pelo sofrimento”, afirmou D. António Francisco, concretizando: “A cruz de Cristo, mas também a dos nossos irmãos. Aproximamo-nos de Deus ao encontro dos que sofrem. E eles sentem a proximidade de Deus na presença dos que os visitam”.
O Bispo de Aveiro manifestou-se agradado com a iniciativa das catequeses quaresmais, iniciadas há anos por D. António Marcelino, e disse querer “assumi-las como Pastor”. A primeira sessão deste ano encheu por completo o Salão de S. Domingos, junto à Sé.
Na primeira parte da catequese, D. António Francisco, comentou a mensagem de Bento XVI, uma mensagem na linha da encíclica “Deus é amor”, com “linguagem nova”, “sem tabus nem refolhos”, escrita com “ousadia de filósofo”.
Bento XVI “entra na linguagem do nosso tempo” – defende D. António Francisco – ao afirmar que Deus é “agape”, ou seja, “amor oblativo, que se oferece, dá e entrega”, e também “eros”, “amor que deseja possuir o que lhe falta”.
“Deus é fonte de vida, amor, perdão e paz”, disse o Bispo de Aveiro, pelo que o tempo forte da quaresma passa pela experiência do perdão entre pessoas, pela paz entre famílias, vizinhos e comunidades, ou pela protecção da vida humana. D. António Francisco sublinhou de novo as ideias fortes para a vivência deste tempo até à Páscoa.
Gratidão e esperança
Na segunda parte da catequese, o Bispo de Aveiro dispôs-se a dialogar abertamente com os pre-sentes, não apenas sobre a mensagem papal. “O que querem pedir ao Bispo de Aveiro?”, interrogou. Uma senhora não se fez e esperar e disse logo: “Venha à missa das 8h30, onde estão muitos velhinhos”. D. António apontou a sugestão. Outros cristãos interrogaram-se sobre o seu próprio testemunho: “Será que não há jovens nas nossas comunidades porque não somos coerentes?” O Bispo de Aveiro desmontou a ideia da ausência dos jovens nas comunidades (“são catequistas” “estão nos coros”, são voluntários em missões…), mas reconheceu que “hoje é difícil ser jovem, com tantas solicitações para o mal – e para o bem!” “O problema da juventude é a perseverança”, disse. “Mas Deus em tudo é infinito, até na paciência”, acrescentou.
Num último momento do encontro, que certamente sensibilizou os presentes, D. António insistiu na importância de “celebrar a gratidão e a esperança”: “Não me canso de agradecer a base que encontrei [na Diocese de Aveiro]”. “Encontrei padres e leigos que, apesar do cansaço do trabalho de sol a sol, rezam pelo seu bispo. Tenho de começar por rezar a gratidão e celebrar a esperança”.
I Domingo da Quaresma
Prioridade à oração
D. António Francisco instituiu Leitor, em ordem ao presbiterado, o seminarista João Manuel Marques Gonçalves, da paróquia de Espinhel e a estudar em Coimbra, e nomeou 82 ministros extraordinários da Comunhão, no último domingo, na Sé de Aveiro.
Celebrando-se o I Domingo da Quaresma, após uma tarde de reflexão na Igreja das Carmelitas, o Bispo de Aveiro insistiu na necessidade de oração: “Jesus, antes de grandes decisões, antes do início da vida pública, retirava-se para horas longas de oração. A Igreja precisa destes espaços e tempos de oração”. D. António Francisco lembrou grandes orantes, como Bento de Núrsia, Francisco de Assis, João da Cruz, Teresa de Ávila, Teresinha do Menino Jesus ou Edith Stein. “Todos se fazem contemplativos de Deus, para que a nossa acção seja sustentada pela oração”, disse, referindo-se ainda a Frei Gabriel Rei, monge cartuxo de Vagos, recentemente falecido no Brasil (ver CV 21-02-07), e ao padre Ângelo Pereira da Silva, que entrou no noviciado dos beneditinos de Singeverga.
