Movimentos do “Não” exigem apoios para proteger a vida

Os movimentos derrotados no referendo ao aborto, reunidos em Calvão, Vagos, prometem continuar a luta pela vida e exigem que o Estado dê a quem leva a gravidez até ao fim a mesma quantia “mais um euro”, no mínimo, que vai dar a quem aborta.

A Federação Portuguesa pela Vida (FPV) exige que o Estado por-tuguês atribua a cada mulher que deseje levar a sua gravidez até ao fim um valor fixo “igual ao montante mais um euro que o Estado pagará por um aborto”, “no mínimo”. A medida foi anunciada no final do encontro que reuniu, no Colégio de Calvão, no sábado passado, 70 representantes de 15 movimentos e 9 associações que fizeram campanha pelo “Não” no referendo ao aborto. O “mais um euro”, “no mínimo”, pretende “marcar a diferença entre optar pela vida e optar pela morte”, afirmou Isilda Pegado, presidente da FPV, no final do encontro.

A FPV reivindica ainda que seja aumentado para 80% o financiamento das associações ou instituições particulares de solidariedade social que acolhem mulheres grávidas ou crianças em dificuldade e que o Estado financie em 75% os Centros de Apoio à Vida que fazem o acompanhamento de mulheres grávidas e de famílias em dificuldade. Por último, os militantes do “Não” exigiram “relatórios semestrais e públicos das condições e outras circunstâncias relevantes da prática do aborto legal” em estabelecimentos públicos ou privados, para que haja um “controle efectivo e transparente”.

Na “Declaração de Calvão” – assim se chama o documento saído do encontro -, a FPV promete que vai estar “muito atenta” ao processo legislativo que vai ter lugar na Assembleia da República, nomeadamente no que diz respeito à constitucionalidade dos diplomas e às “promessas que foram feitas em campanha pelos responsáveis das forças políticas que apoiaram o ‘sim’”. Em questão, o período de reflexão e aconselhamento proposto pelo PS durante a campanha e que posteriormente algumas vozes vieram negar. Os militantes do “Não” mostraram-se preocupados com o resultado do referendo do dia 11 de Fevereiro, porque “representa um importante revés na causa da protecção dos mais fracos e da dignidade da Mulher”, mas congratularam-se com a “fantástica mobilização”, “de norte a sul do país”, “de forma voluntária e desinteressada”, em torno da causa da vida. Nesse sentido, a FPV desafiou os presentes no encontro de Calvão “a que se empenhem na criação e dinamização de instituições de apoio à vida”, estendendo a todo o território de Portugal o trabalho que, há anos, várias instituições vêm desenvolvendo.

A FPV lembra ainda que “tanto o ’Sim’, como, naturalmente, o ‘Não’ assumiram publicamente a intenção de tudo fazer” para “combater o flagelo do aborto, legal ou clandestino”, de modo a que “o número de abortos em Portugal se reduza ano após ano”.

Este encontro realizou-se no Colégio de Calvão por sugestão do Pe João Mónica, director da escola. Ao ver o empenho do “Não”, durante a campanha, disse a responsáveis do movimento cívico de Aveiro que, fosse qual fosse o resultado, disponibilizava as instalações do Colégio para uma confraternização dos vários movimentos. Assim foi, no sábado passado, 24 de Fevereiro. O encontro foi principalmente de balanço e de incentivo para novas iniciativas de protecção da vida e terminou com um almoço de amizade.

J.P.F

As exigências de Calvão

– Montante do financiamento de um aborto mais um euro para quem leva a gravidez até ao fim;

– Financiamento a 80% das instituições que acolhem grávidas e crianças;

– Financiamento a 75% dos Centros de Apoio à Vida;

– Relatórios semestrais sobre a prática de aborto legal.