Direitos Humanos Pertenço ao número dos que pensam que a comunicação social tem o dever de informar, com isenção, mas não pode deixar de fazer do jornalismo uma prática de cidadania. Por isso, correndo, e assumindo, o risco de que esta crónica seja apelidada de “panfletária”, vou transformar a minha presente reflexão num apelo à participação no Dia de Mobilização e Acção Global.
Por várias vezes deixei expressa, claramente, a minha admiração e o meu apoio ao FSM – Fórum Social Mundial. Para os menos informados, o FSM é um evento de âmbito mundial, organizado por diversos movimentos sociais, nascido da necessidade de mostrar que o mundo não pode ficar refém da globalização económica, imposta pela sociedade neoliberal. As acções que formam o FSM costumam centralizar-se, anualmente, num determinado local, com o objectivo de celebrar a diversidade, discutir temas relevantes e buscar alternativas para questões sociais.
Ainda não tive possibilidade de estar presente, in loco, em nenhum FSM, mas acompanho as realizações desde o seu início, em Janeiro de 2001, na cidade de Porto Alegre, Brasil, país onde à data eu vivia.
Posteriormente, no ano de 2003, em Portugal, tive possibilidade de ouvir, conhecer e até conversar, com um dos ideológos do FSM: Francisco Whitaker Ferreira. Foi por ocasião do Fórum pela Paz, promovido pela Comissão Nacional Justiça e Paz, em Lisboa. E, se já nutria um carinho grande pelo evento, ao ouvir o “Chico” Whitaker, como gosta de ser conhecido, falar com tanta fé/esperança sobre a génese e os propósitos do FSM, acabei por me contagiar com essa paixão, até me tornar um indefectível apoiante do Fórum.
Historicamente o FSM, depois do primeiro encontro mundial de 2001, já aconteceu, de novo, em Porto Alegre 2002, 2003 e 2005, Mumbai (Índia), em 2004, Caracas, Bamako e Karachi (num evento quase simultâneo de 3 cidades/ 3 continentes), em 2006, e Nairobi (Quénia), em 2007.
Agora, em 2008, o FSM terá um perfil diferente. Será composto por milhares de actividades e manifestações, que acontecerão em diferen-tes partes do mundo. Terá lugar no próximo dia 26 de Janeiro e será chamado Dia de Mobilização e Acção Global.
Nessa semana, os mass media estarão com as objectivas focalizadas para Davos (Suíça), onde irá decorrer o Fórum Económico Mundial, reunião anual que reúne os governos “mais poderosos” e as elites neo-liberais. Assim, os organizadores do FSM esperam que, as “outras vozes” do mundo se mobilizem e se façam escutar através de uma Semana de realizações paralelas, que desemboquem num Dia de Mobilização e Acção Global. Poderão ser marchas, concertos, conferências, festas, fóruns e outras actividades, de pequena e média dimensão, que possam ter impacto a nível local, mas que, comunicadas a nível internacional, tenham um impacto global, estimulando a esperança de todos os que acreditam/lutam por um mundo diferente.
Como este ano a Acção Global se propõe “actuar localmente, para mudar globalmente”, apenas quero deixar o meu pequeno contributo, sugerindo e estimulando os nossos leitores a que, nas suas organizações, associações, pastorais, movimentos ou até mesmo nos seus locais de trabalho, se mobilizem das mais diversas formas. Mesmo que não sejam acções mediáticas, o importante é alertar a sociedade, em geral, para a necessidade de (re)inventar-mos uma “nova civilização”, da qual possamos riscar todas as formas de “violência, exploração, exclusão, pobreza, fome, degradação ambiental” e onde os direitos humanos se tornem efectivos.
Termino, por isso, fazendo eco do apelo de Chico Whitaker – actualmente consultor da Comissão Brasileira Justiça e Paz, à participação de todos(as) no Dia de Mobilização e Acção Global: “Vejam o site http://www.wsf2008.net/. Ele apresenta o “chamado” que foi feito para as actividades que se realizarão em 2008, no processo do Fórum Social Mundial.”
Mobilizemo-nos! É hora de agir! Dia 26, divulguem as vossas realizações e “façamos (desde) já um Outro Mundo!”
