Eduardo Prado Coelho

Dias Positivos Lia-o todos os dias no jornal Público. A morte de Eduardo Prado Coelho (EPC), no dia 25 de Agosto, foi por mim sentida com surpresa e tristeza. Não concordava com muito do que escrevia (a defesa do aborto, a Igreja tratada com ironia, louvor de obras culturais com base em preconceitos ideológicos e – parecia – compadrios…), mas reconheço-o como grande divulgador de filosofia, literatura e arte, como mente de “curiosidade ilimitada” (expressão de Guilherme d’Oliveira Martins), como pessoa com gosto pelo debate de ideias. Recordo que com D. José Policarpo escreveu os “Diálogos sobre a Fé” (na senda da troca epistolar entre o intelectual italiano Umberto Eco e o cardeal de Milão Carlo Martini) e que numa das suas crónicas notou que também na Teologia há novidades, referindo o trabalho do teólogo leigo bracarense João Duque.

Para com EPC tenho uma dívida. Um dia, em Lisboa, após a apresentação de um livro, que acabou mais rápida para que os presentes pudessem assistir em ecrã gigante ao Portugal-França do Euro 2000, no Lux, EPC concedeu-me a entrevista que me faltava para concluir uma parte do curso de jornalismo. EPC teria muitas outras coisas para fazer e também gostava de futebol, mas respondeu com grande disponibilidade a todas as perguntas de um estudante de jornalismo. E nem mesmo quando Nuno Gomes marcou um golo, exaltando a multidão, EPC interrompeu a entrevista para olhar para o ecrã. Portugal acabaria eliminado pela mão na bola de Abel Xavier. Mas esse dia ficou-me antes na memória pela cordialidade de um intelectual português.

J.P.F.