Ele está vivo!

Os dias que estamos a viver fazem ressoar ainda nos corações as alegrias da ressurreição, envolvem, ao longe e ao largo, as pessoas numa atmosfera de pujança de vida. A luz da noite pascal perdura nos templos e no rosto das pessoas.

Sabemos que há não crentes que nos julgarão incultos, retardados no tempo, porque nos deixamos guiar por fábulas, no seu entender. Não ignoramos que muitos crentes, de outras religiões, mesmo de franjas provindas do cristianismo, ridicularizam esta atitude de quem se sente renovado, de quem vive impulsionado pela esperança, de quem goza a certeza de poder vencer todas as limitações humanas, porque sabe que Jesus Cristo venceu a morte e abriu à humanidade esta vida de plenitude.

Mas é nosso dever consolidar esta convicção e gritar este testemunho, com toda a alma e com a ousadia das ações consequentes. Está para sempre firmado entre nós o Reino da Vida! Não é mais preciso chorar a escravidão! É indispensável erguer bem alto os frutos da colheita dessa sementeira de vida que os dias do Senhor inauguraram entre nós!

É neste clima de gente salva, nesta onda de otimismo, que percebemos que mesmo os momentos de cruel sofrimento e de morte não esmagam a nossa existência. Se ela se torna, por vezes, tão pesada que faz suar sangue, a manhã da serenidade, a aurora da vitória vai surgir radiante e superará toda a dor e angústia, porque se abrirá sobre um mundo novo, que ainda o não é de todo, mas já começou e não recuará!

Cantamos, não por ritualismo, mas de forma consciente e estimulante: “Ó morte, sempre vencedora, onde está agora a tua vitória?” Das nossas débeis forças, da pequenez da nossa humanidade, não ousaríamos desafiar esse momento derradeiro dos nossos dias nesta terra. Mas o milagre de um Deus, como outro não há, que deixa a Sua majestade divina para se tornar peregrino connosco, garante-nos que sobreviveremos à escuridão do túmulo, não somos mais escravos da sombra da morte.

Compreendemos o desânimo, a desorientação, porventura o desespero de quantos fixam os limites do seu horizonte no espaço e no tempo que habitamos. Fazer a experiência de Jesus Cristo, como Irmão e Salvador, não pode deixar de nos tornar contagiantes, oferecendo, com respeito, a nossa certeza de vida a quantos procuram saciar esta sede de infinito. Ide dizer, vamos dizer aos nossos irmãos que Ele nos precede em todos os nossos passos, sobretudo nos passos dolorosos, rumo ao monte da bem-aventurança!

O pregão pascal, que se prolonga até ao Pentecostes, é a ocasião por excelência para nos tornarmos pessoas da primeira linha no combate aos queixumes e derrotismos, pelo sonho de futuro, pela recriação da esperança!