Olho de Lince Na conversa do quotidiano descobrem-se as mais profundas intenções e, ao fim e ao cabo, os valores subjacentes à conduta de cada um. Assim aconteceu mais uma vez.
Em pleno convívio, no meio de bastante ruído, alguém “atirou” com esta observação, a meu ver infeliz: “O quê? Já é o segundo filho desse casal?”… A exclamação não era apenas de espanto. Tinha mais de reprovação. Como quem diz que, hoje, ousar ter dois filhos, para mais com alguma proximidade de nascimento, seria sinal de ignorância ou – quem sabe? – mentalidade retrógrada.
Teríamos ficado por aqui, com uma impressão pouco positiva, de gente que “professa” os valores do Evangelho, que é membro habitual da comunidade celebrante… E, francamente, não era um motivo de grande satisfação!
Poucos minutos passaram. Um avô “babado” segurava carinhosamente no colo o rebento mais novo. A sinalética funcionou! Aproximei-me. E comecei por ouvir uma “agressão” bem intencionada: “Você não tem disto!”. É evidente que não! Mas pude narrar a minha experiência de ter sido “amo” de mãe e filha, durante umas semanas, poucos dias após o nascimento de uma sobrinha.
Foi então que ouvi, atentamente, o relato do tal avô: Fora “amo” dos seus sobrinhos, desde mudar fraldas a dar banho e a outras coisas de que os bebés necessitam. E rematou, sabiamente, a propósito do neto que tinha ao colo: “Eles são nossos!…”
Com esta consciência de família não estaríamos em níveis demográficos tão assustadores! Essa é a esperança que resta, para se reporem os níveis de continuidade de uma raça, de uma nação.
Q.S.
