Ponta de Lança No espaço de uma semana, o árbitro João Ferreira conseguiu demonstrar como não deve ser o futebol: um embuste! No jogo do Boavista com o Benfica, como referimos no número anterior, deixou que o jogo evoluisse para uma situação descontrolável, prejudicando o Benfica no cômputo final. Esta semana, em Alvalade, não viu o que deveria ter visto e o Paços de Ferreira acaba por ganhar um jogo com um golo irregularíssimo – marcado com a mão!
Tão grande como o embuste da arbitragem foi o das figurinhas do Paços de Ferreira. O treinador José Mota fez figura ridícula ao aceitar, com a natural desculpa “é o futebol”, o gesto fraudulento do seu jogador – mesmo aceitando que raramente as equipas ditas pequenas usufruem deste género de erros, exigia-se reprovação do acto, para que o futebol sobreviva. O jogador escondeu-se atrás do “lance muito rápido”, para contornar o que está cansado de saber: marcou um golo de forma irregular.
E o assunto (embuste) não se esgota.
Vem aí mais um referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez. Com o maior respeito por quem na vida tem de decidir sobre o que fazer sobre a vida dos outros, há qualquer coisa que não chega a ser bem explicada, para que todos possamos entender de forma cabal. Há legislação sobre a interrupção voluntária da gravidez, não há? Onde é que ela deve ser mudada? A quem compete o poder legislativo? Por que é que o Parlamento não legisla? Outro referendo, a quem serve?
Num país pobre, com baixa taxa de natalidade, a fechar maternidades, na encruzilhada com o envelhecimento da população e a insustentabilidade da segurança social, com o interior a ficar desertificado, com o desemprego em índices preocupantes, com todos os sectores do Estado a reduzir custos, sem dinheiro para pagar horas extraordinárias a médicos, com o arranque de mais um ano lectivo em perfeito estado de coma emocional, com a factura da água a aumentar por causa de tudo e mais a recolha de resíduos, com a factura da luz a conter mais uma contribuição para o audiovisual, a gasolina, os transportes, as greves, os medicamentos, a guerra no Médio Oriente, o Iraque… quem sobrevirá para referendar o aborto?
Aumentem-nos a esperança na vida ou, pelo menos, deixem-nos viver!
Desportivamente… pelo desporto!
