Educar… hoje Ao primeiro dia do primeiro mês de aulas do ano lectivo 2006/07, reuniram, nas respectivas escolas, milhares de alunos, professores, encarregados de educação, auxiliares de acção educativa e funcionários administrativos, para dar cumprimento à seguinte Ordem de Trabalhos: 1. Perspectivar o ano lectivo; 2. Analisar a Lei n.º 2015/02, de 8 de Abril.
Após um voto de bom ano lectivo, o Presidente da reunião, entrou no ponto 1 da ordem do dia. Os presentes foram unânimes em considerar que o início de um ano lectivo é sempre emocionante: revêem-se colegas, fazem-se amigos, descobrem-se novos alunos e professores, sendo a vontade de estudar proporcional aos objectivos de cada um. Concluíram que a única garantia está no facto de se ir cumprir um horário novo e de, no final do ano, o sucesso ou insucesso escolar ficar registado em actas e certificados.
Na análise da Lei n.º 2015/02, cujo único artigo se transcreve “(aprender + estudar) x Escola = ser livre”, tiveram-se em conta os seguintes dados:
a) A educação é um dos meios mais radicais para fazer recuar a pobreza, como defendeu a Conferência Mundial do Banco Mundial, em Amesterdão, a 8 de Abril de 2002. Consciente de que não há desenvolvimento possível sem populações educadas, esta instituição lançou um sério pedido para que, até 2015, todas as crianças do mundo sejam escolarizadas. Para o director do Banco Mundial, “a prosperidade económica e a redução da pobreza global não serão conseguidas sem que todas as crianças, em todos os países, possam, no mínimo, terminar uma educação primária de boa qualidade. A educação por si só não resolverá o problema, mas o problema não pode ser resolvido sem educação. Os alunos que não cumprem cinco ou seis anos de escolaridade são funcionalmente iletrados para o resto da vida e o risco de viverem na pobreza aumenta.”;
b) A alfabetização é uma fonte de liberdade, como lembra o tema geral da Década das Nações Unidas para a alfabetização. A 8 de Setembro/2006, Kofi Annan (secretário geral da ONU), no Dia Internacional da Alfabetização, sublinhou que a alfabetização é um instrumento para que “as pessoas aproveitem novas oportunidades de aprendizagem, se adaptem a um mercado de trabalho em constante evolução, assumam maiores responsabilidades, saiam da pobreza e se protejam contra as doenças, em especial contra o VIH/Sida”. Acrescentou ainda que “As mulheres e raparigas não alfabetizadas carecem de uma arma vital para se libertarem da desigualdade e da discriminação”;
c) Há mais de 770 milhões de adultos analfabetos no mundo;
d) Mais de 100 milhões de rapazes e raparigas nunca se matricularam numa escola;
e) No Uganda, os agricultores que fizeram quatro anos de escola primária produzem 7% mais do que os que não frequentaram uma escola;
f) Na Zâmbia, uma mulher que termine a educação primária dá mais 25% de oportunidades de sobrevivência aos seus filhos;
g) Quanto mais pobre, maior a diferença entre os sexos, logo mais sacrificada é a mulher, seja em África, seja nos países dos continentes ditos desenvolvidos. Por exemplo, em Portugal há mulheres de pouco mais de 40 anos que não têm a 4ª classe. E muitas não podem completar a instrução primária, porque trabalham cerca de 10 a 12 horas por dia, para sustentar marido e filhos.
Os presentes chegaram à conclusão de que, quanto mais alfabetizado se for, mais livre se será. Assim, foi aprovada por unanimidade a decisão de contribuir para a erradicação da pobreza, através do combate ao abandono escolar precoce e do compromisso pela escolarização de todas as crianças do mundo.
E nada mais havendo a tratar, foi encerrada a reunião, da qual se lavrou a presente acta, que foi lida e aprovada por unanimidade.
