Empresários cristãos

Questões Sociais É bastante diversificado o universo dos empresários, sob os pontos de vista confessional e comportamental. Existem, designadamente, empresários: – cristãos coerentes; cristãos incoerentes; humanistas não cristãos; e não cristãos nem hu-manistas. O mesmo se passa, naturalmente com outras confissões religiosas.

Os empresários cristãos coerentes procuram actuar de acordo com a sua fé e com o humanismo, ponderando em especial a doutrina social da Igreja: Os não coerentes prescindem dessa conformidade e chegam, não raro, ao incumprimento sistemático da legislação e até a outras práticas mais condenáveis. Os empresários humanistas não cristãos actuam em conformidade com valores que, em larga medida, coincidem com os cristãos. Finalmente, os empresários não cristãos nem humanistas procedem de modo semelhante ao dos cristãos não coerentes.

Duas linhas divisórias se revestem de particular importância a este propósito, embora sem compartimentação estanque: – a que separa os humanistas dos não humanistas; e a que separa os cristãos dos não cristãos. Os humanistas – cristãos ou não – identificam-se mais com o pensamento social cristão e podem constituir uma das bases fundamentais para a humanização da vida económica e social. Os cristãos – coerentes ou não – acham-se vinculados a esta orientação, por força da sua fé.

A pastoral empresarial – como a laboral – não se encontra desenvolvida entre nós; muitos empresários vivem afastados das orientações da Igreja, e esta, em muitos casos, vive bastante longe das realidades empresariais. A «Associação Cristã de Empresários e Gestores» acha-se vocacionada para ser um espaço de excelência para a aproximação e interacção indispensáveis. Outras iniciativas se observam nalgumas zonas do país, e as «Semanas Sociais» vêm estimulando esta linha de orientação.

A existência de núcleos de empresários cristãos (com esta ou outra designação), nas paróquias e nas dioceses, poderia desencadear todo um movimento de humanização da empresa e de dignificação do mundo laboral. Incumbiria especialmente a esses núcleos: – a partilha de experiências e de pontos de vista; a procura de orientações para a acção, com base na doutrina social da Igreja e nas realidades empresariais; a promoção do diálogo social com trabalhadores, pertencentes ou não a organismos da Acção Católica; e a participação no processo alargado de humanização do tecido económico.

«Na empresa (…), a dimensão económica é condição para que se possam alcançar objectivos não apenas económicos, mas também sociais e morais, a perseguir conjuntamente» («Compêndio da Doutrina Social da Igreja», nº. 338). Para que isto aconteça na prática, os núcleos de empresários cristãos poderão desempenhar um papel decisivo.