Esperança

O mundo acordou, nestes últimos dias, esmagado por um enorme pesadelo: o fantasma da recessão, a crise económica generalizada ameaçam empobrecer rapidamente mesmo os países mais fortes. Não somos excepção! O espectro do crescimento do desemprego, o receio de perder as suadas poupanças, o medo de um custo de vida insuportável, tudo aí está a aumentar a angústia, a fazer crescer a desconfiança.

Multiplicam-se reuniões, imaginam-se cenários, tomam-se medidas para precaver catástrofes que arrasem as economias dos cidadãos… Lançam-se acusações, ameaçam-se os causadores da instabilidade de virem a ser eles a pagar a factura, diz-se que o G7 não presta e é preciso constituir um grupo melhor…

O certo, certo, é que ninguém sabe o que poderá estar eminente: “No caso de”… é a expressão que melhor retrata esta incerteza. E, apesar de todas as garantias dos governantes, a confiança dos cidadãos, a confiança dos investidores não encontra argumentos para inverter o sentido.

Este é o novo contexto em que se apresenta à Igreja de Aveiro um novo Plano Pastoral, desenhado para cinco anos, sob um lema tão ousadamente ambicioso como actual: “Igreja Diocesana Renovada na Caridade é Esperança no Mundo”.

Alguns dos caminhos a percorrer, para dar rosto a esta Esperança, ali estão propostos. Uma atenção continuada aos mais pobres, por via de uma conversão de coração, que resulte na austeridade do consumo, no sentido da partilha fraterna, na busca do respeito pela dignidade de todos. Uma renovada educação na fé, a fim de que o Evangelho proclamado apareça como boa notícia visível nas obras. O esforço de aprendizagem da oração/liturgia como verdadeira e íntima comunhão com Deus, única fonte suficiente de amor fraterno. O persistente trabalho de defesa e reforço da estrutura familiar, como base de harmonia pessoal e de tecido social pacificado e cooperante.

Assim a Igreja de Aveiro crescerá e há-de alegrar-se pelas expressões visíveis da sua fé e da sua caridade, que semearão, no Mundo de que Ela mesma faz parte, os gérmenes da Esperança. Na medida em que o desenvolvimento pastoral na Diocese tenha a “esperança como motor e força propulsora das atitudes a cultivar e dos programas a realizar”, fermentará o mundo envolvente, dará sabor aos progressos e dificuldades do quotidiano das pessoas, iluminará a busca dos caminhos que permitirão superar as crises, concorrerá para a paz social que almejamos.

Diríamos que hoje, mais que nunca, são autênticas e provocadoras as palavras de J. Moltmann, o teólogo ecuménico da esperança: “O cristianismo só cumpre verdadeiramente a sua missão, se contagia de esperança os homens”.