A pequenita, mesmo sabendo eu que é um pouco mimada, sofreu o golpe terrível da perda da irmãzinha, de ano e meio, em situação muito dramática. Entende-se, por isso, que leve tempo a reagir e que a sua “reinserção” nos hábitos felizes quotidianos de uma criança seja paulatina.
Admirável foi a cena. Era hora de almoço. Na instituição, cuida-se daquilo que se coloca no prato de cada um. E insiste-se, por formas várias, para que tudo seja comido, uma vez que se tem como necessário o que lá foi posto.
Não era dos melhores dias para a menina. E estava a ser difícil seguir a par com os colegas na deglutição do manjar, que até era bem saboroso. Foi quando o seu primo, já mais velhito, tomou voluntariamente o encargo de lhe ser cireneu: preparava a garfada e, de forma intermitente, levava a comida à entristecida boquita da prima.
Certo é que resultou em pleno. A refeição terminou a contento. E lá voaram sorridentes e chilreando, para saborear, no pátio da escola, o tempo de recreio que ainda lhes sobrava. Valeu a inocente solidariedade do primo!
Q.S.
