Portugal deve transformar a crise das alterações climáticas em oportunidade económica

UA acolheu congresso que debateu as transformações do clima Primeiro congresso nacional sobre alteração climática destacou avanços nas energias renováveis e defendeu a importância da engenharia do ambiente

Com o objectivo de debater as alterações climáticas, divulgar o que está a ser feito nessa área, chamar a atenção para as grandes oportunidades que podem surgir nesse sector e alertar para a capacidade que teremos de ter para nos adaptarmos a alguns efeitos negativos associados realizou-se na Universidade de Aveiro o 1.º Congresso Nacional sobre Alterações Climáticas, promovido pela Associação Portuguesa de Engenharia do Ambiente e pela Universidade de Aveiro (UA).

Os engenheiros do ambiente trabalham em várias áreas, “desde as mais tradicionais, como a gestão dos resíduos sólidos, tratamento de águas e o ordenamento do território, até às mais recentes, como as energias alternativas”, referiu ao Correio do Vouga Pedro Santos, presidente da Associação Portuguesa de Engenharia do Ambiente e da organização do 1.º Congresso Nacional sobre Alterações Climáticas. São, por isso, profissionais com papel de destaque neste campo.

Estando sensíveis e tendo informação sobre estas questões, os engenheiros do ambiente podem dar um contributo nos locais onde trabalham, quer seja uma câmara, uma empresa ou um organismo da administração central, para que essas entidades possam tomar as medidas mais adequadas nessas matérias. “Temos cada vez mais engenheiros do ambiente a trabalhar nas questões energéticas e dos transportes, que são áreas absolutamente importantes para a redução das alterações climáticas. Temos também engenheiros do ambiente a fazer investigação e outros a trabalhar só na área das alterações climáticas”, adiantou.

Em torno das alterações climáticas há um vasto conjunto de iniciativas que podem despertar o interesse das empresas e dos grupos financeiros, como reconheceu Pedro Santos ao dizer que “as empresas vão ter que se adaptar, o que implica terem que reduzir as suas emissões, optando por tecnologia mais eficiente”. Por exemplo, na área da energia, campo em que Portugal está a assumir um papel de liderança a nível europeu, “há oportunidades para desenvolver novas empresas, novos negócios”. “Mesmo do ponto de vista empresarial, há também a oportunidade de promover emprego qualificado nesta matéria e de criar riqueza em torno de novas soluções tecnológicas”, afirmou.

Para Pedro Santos, Portugal, “aproveitando os conhecimentos e as competências de que dispõe, poderá potenciar o desenvolvimento de uma nova indústria de tecnologias limpas para vender a países em vias de desenvolvimento”. “No futuro, à medida que os compromissos políticos forem mais exigentes nesta matéria, haverá necessidade de disseminar este tipo de tecnologias e, portanto, Portugal tem que estar muito atento para se posicionar e desenvolver cá essas tecnologias; se não o fizer vai ter que importar essas tecnologias de outros países”, realçou.

A floresta é outra área importante na questão das alterações climáticas. Pedro Santos sublinhou que “se Portugal conseguir preservar a sua floresta autóctone, promoverá aquilo a que se chama um sumidouro de carbono”, ou seja, a retenção do carbono para compensar as emissões noutros lados. “Também nessa área Portugal tem, cada vez mais, assumir a fileira florestal como uma área competitiva, também por esse motivo”, adianta.

No congresso foram divulgados projectos que estão a ser desenvolvidos no país.

No futuro, a APEA irá realizar o Congresso Nacional sobre Alterações Climáticas de dois em dois anos, intercalado com o Congresso Nacional de Engenharia do Ambiente, que terá lugar em diferentes cidades portuguesas.