A semana que terminou foi recheada de lampejos de esperança. A começar pela “ressurreição” vivida pelo Chile e acompanhada com entusiasmo pelo mundo inteiro. A tenacidade, o esforço conjugado das inteligências, o suporte psicológico, moral e espiritual…, mas sobretudo a esperança e a fé nutridas pelos próprios mineiros, fizeram o milagre da ressurreição.
Também o Sínodo das Igrejas do Médio Oriente manifestou a hora do Espírito, cimentou a aproximação de quantos, reconhecendo-se filhos do mesmo Deus e irmãos de todos os sofredores desta zona de conflito, desejam contribuir para aliviar tensões e lançar raízes para uma resolução de paz que seja consistente.
Na nossa Diocese, celebrações de reinício de actividade de movimentos e instituições, entrada de novos párocos ao serviço…, foram outras tantas ocasiões a permitir-nos experimentar que a Vida não se contém, antes cresce e rasga caminhos novos, descobre novas sendas.
Tanto bastaria para acreditarmos que o Reino avança, que novos Céus e nova Terra estão em gestação e os seus frutos não deixam de se fazer sentir. Na certeza de que a plenitude não se encerra nos limites do espaço e do tempo – porque a Vida está para além da História -, a fé torna-se convite permanente para um compromisso sempre reforçado no serviço da Igreja, como fermento de unidade no seio da Comunidade humana.
Certo, porém, é que esse serviço tem de se dirigir ao cerne dos corações. Só com pessoas renovadas poderemos dar passos firmes. Disso tem urgência o nosso País. Já que, a par de toda a esperança semeada, permanecem os vampiros do poder a “sugar o sangue fresco da manada”.
Não pode ser outro o entendimento de um sacrifício tão desequilibrado em busca de um futuro sustentável. Se a factura da esperança recai cerca de nove vezes mais sobre os pobres ou remediados do que sobre os ricos; se, enquanto uns se torturam em busca de reorientar os seus magros réditos para obviar ao fundamental – sem, em muitos casos, o conseguirem -, outros são descaradamente favorecidos pelos seus correligionários políticos; se o debate público sobre o Orçamento de Estado é feito de truques e encontros secretos, em vez de diálogo aberto e esclarecedor…, então é mais difícil recriar a esperança e comprometer a todos na busca da “ressurreição”.
