Justiça, cadeia e opinião pública

Olhos na Rua Eu sei que não é fácil julgar. Sei também que meter todos os criminosos na cadeia não será a melhor solução. Mas ao menos, ajudem-nos a entender e a ter opinião que possa ajudar outros. Isto vem a propósito de uma notícia do domingo passado no CM, assim titulada: “Bate na mulher durante 38 anos e fica livre”.

Os jornais, por vezes, vendem mais títulos que notícias. Lá vem dito que, casados há 40 anos, o marido agredia “quase todas as semanas” a mulher, a “murro, bofetada e pontapé”. O Tribunal que o julgou deu-lhes três anos e meio de cadeia. O Tribunal da Relação suspendeu a pena, baseando-se no facto de o arguido não ter antecedentes criminais (!), nem haver risco de continuar a cometer crimes. Ou a notícia está mal redigida ou então a gente não entendo nada. A mulher foi agredida, desde que casaram e até 2008, “às vezes com paus e mesmo depois de ficar numa cadeira de rodas”. E a este homem a pena é suspensa por não ter antecedentes criminais? Não dá para entender. Mas neste país, o exercício da justiça, em muitos casos, será mesmo para entender? Como lhe pode ser favorável a opinião pública? Ou nos explicam ou já ninguém ou o descrédito aumenta. O exercício da justiça não é uma actividade qualquer.